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Mudanças na frente e na traseira
aproximavam-no do modelo Aurora em 1996, quando a versão LSS trazia
compressor e 240 cv no motor V6 3,8

Com a edição 50th Anniversary,
em 1999, a Olds celebrou 50 anos de história do 88 -- e encerrou sua
produção assim que a série se esgotou |
O mercado para a Olds, contudo, andava minguando. Das marcas acima de um
milhão de exemplares ela havia caído para 671 mil em 1987 e menos de 500
mil em 1990. O problema estava, provavelmente, na falta de identidade da
divisão dentro da GM: seus carros eram muito parecidos aos da Buick e
usavam a mesma mecânica, enquanto a alma esportiva e a alusão a
competições haviam ficado no passado — a Pontiac agora representava esse
braço mais dinâmico da corporação. Chegou-se a estudar o fim da
Oldsmobile, então já próxima do centenário.
Com o mesmo entre-eixos, mas pouco maior em comprimento (5,09 m),
largura e altura, a última geração do Eighty-Eight era lançada para
1992. A carroceria ainda conservadora ganhava algumas curvas e os
para-choques vinham inteiros na cor do carro; as colunas dianteiras em
preto simulavam um para-brisa envolvente e ligado aos vidros laterais.
Nas duas versões — Royale e Royale LS, ambas com quatro portas — o motor
Buick 3,8 permanecia, agora com 170 cv e 30,6 m.kgf, mas três anos mais
tarde passaria a 205 cv. Freios com sistema antitravamento (ABS) e bolsa
inflável para o motorista estavam disponíveis, assim como painel de
instrumentos digital.
Ao analisá-lo em 1993, a Popular Mechanics lembrou-se do modelo
1949: "O Eighty-Eight de hoje não vai queimar borracha como
aqueles grandes V8 do passado — de fato, não vai queimar borracha de
jeito nenhum —, mas ainda é um carro fácil de se gostar muito. (...)
Sua qualidade que mais apreciamos é o comportamento na estrada. Se o V6
3800 não condiz com as memórias dos antigos Rockets, tem torque
suficiente em baixa rotação para lidar com o trânsito e oferece
desempenho sem esforço nas autoestradas. Estabilidade é um ponto ainda
mais alto. Com a suspensão opcional FE3, ele é ágil sem ser duro demais, equilíbrio entre conforto e comportamento que gostaríamos
de ver em mais sedãs da GM".
Mudanças na frente e na traseira deixavam-no mais parecido ao novo
Aurora, no modelo 1996, e a linha abria-se em versões básica e LSS (Luxury
Sports Sedan), esta com compressor no V6
para chegar a 240 cv — 35 a mais que a básica, que também estava mais
potente. Com a extinção do modelo maior Ninety-Eight, a Olds lançava
para o ano seguinte o Regency, um Eighty-Eight com grade e para-lamas
dianteiros do modelo descontinuado e interior luxuoso, com revestimento
em couro, ajuste elétrico dos bancos com memória, ar-condicionado
automático de duas zonas, controle de tração e nivelamento automático da
suspensão traseira.
O Regency durou apenas dois anos-modelo, pois o próprio Eighty-Eight
estava com os dias contados. A versão básica e a LSS chegaram ao fim em
setembro de 1998 e a série limitada 50th Anniversary Edition, que
comemorava o cinquentenário do modelo, deixava a linha de produção de
Lake Orion, no estado de Michigan, pela última vez em janeiro de 1999. O
mais moderno Aurora o substituiria até 2003, quando a própria marca se
preparou para deixar o mercado.
Em meio século de história, o Oldsmobile 88 — como outros grandes carros
norte-americanos — passou de uma posição de prestígio a uma vaga
secundária na corporação. Ganhou tamanho e potência para mais tarde ser
reduzido em ambos os parâmetros; nasceu com um apelo esportivo,
abandonado nas décadas seguintes; apresentou inovações, mas terminou
seus dias como só mais um modelo conservador para clientes que resistiam
a mudanças. Agora que a Olds não existe mais, porém, ele será sempre
lembrado como um dos pilares do que a marca representou em seus melhores
períodos.
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