O Delta 88 de 1974: para-choques reforçados, opção de bolsa inflável e potência reduzida com a menor taxa de compressão dos motores

Vidros laterais triangulares vinham no cupê Holiday, que neste modelo 1975 trazia um V8 Pontiac -- o início da fase de "motores corporativos"

Menores dimensões e alívio de mais de 400 kg, sem diminuir o espaço interno, deixavam o Olds 1977 mais eficiente -- e bem mais econômico

Inédita era a perua Custom Cruiser, baseada na plataforma B que servia ao 88, mas com entre-eixos de 3,20 m e o motor de 7,45 litros de série. Já sob o capô do automóvel permaneciam os V8 5,75 e 7,45, mas com taxa de compressão reduzida para usar gasolina sem chumbo tetraetila, como ordenava o governo federal a fim de reduzir as emissões poluentes. A potência variava de 250 a 340 cv, e o torque, de 49 a 69 m.kgf nesse último ano com valores brutos. Todo 88 trazia freios dianteiros a disco ventilado.

Com o fim da versão Custom, a gama de 1972 passava a incluir o Royale com carrocerias Town (mais tradicional) e Holiday (hardtop) de quatro portas. A grade dianteira agora lembrava uma queda d'água e as lanternas traseiras eram quatro. A adoção de potência e torque líquidos deixava os motores com números bem menores, embora não resultasse em perda efetiva: agora eram 155 cv e 38 m.kgf no 5,75-litros com carburador duplo e 225 cv/49,7 m.kgf no 7,45 de quatro corpos. No ano seguinte os 88 ganhavam para-choques reforçados, capazes de suportar impactos a até 8 km/h sem danos, e lanternas traseiras em peças novamente únicas.

Já em meio à crise do petróleo deflagrada em 1973, a Oldsmobile fazia poucas mudanças no modelo 1974: vidros laterais triangulares no Holiday cupê, painel mais retilíneo, velocímetro em escala horizontal. Importante novidade em termos históricos, mas inexpressiva em participação nas vendas, era a opção de bolsa inflável para o motorista — em que o 88, junto de outros carros grandes da GM, teve primazia mundial. Carburadores de corpo duplo eram eliminados, o que deixava o motor básico 350 com 175 cv e 38 m.kgf.

As modificações continuaram discretas nos anos seguintes. Grade, lanternas traseiras e vidros laterais (só no sedã Holiday) mudavam para 1975, quando estreava o V8 bloco-grande de 400 pol³ (6,6 litros) da divisão Pontiac com carburador duplo e 170 cv. O Delta 88 Royale conversível, então o último Olds com esse tipo de carroceria, saía de produção seguindo uma tendência da indústria. A linha seguinte vinha com faróis retangulares, nova grade e a versão Royale Crown Landau, derivada do cupê Holiday, que trazia uma barra no teto em aço inoxidável, parte traseira do teto revestida em vinil e adorno de capô. Os demais Holidays saíam de linha, assim como o motor 455 e a bolsa inflável.

Hora de compactar   Downsizing, ou redução de tamanho, era a palavra de ordem da indústria norte-americana no fim dos anos 70 em resposta ao período de petróleo caro. O Olds 88 não poderia ficar de fora e, no modelo 1977, vinha bem mais curto (5,25 m de comprimento, 2,95 m entre eixos) e menos pesado (redução de 410 kg em média). Ao contrário do que se poderia esperar, o espaço interno não foi prejudicado e até ganhou em algumas dimensões, sinal de que o projeto havia ficado mais eficiente. No estilo predominavam as linhas retas e havia quatro faróis retangulares. Os para-choques exigidos por lei mostravam-se ainda mais desproporcionais nesse modelo.

Disponível como Delta e Royale, o Olds oferecia as carrocerias cupê e sedã quatro-portas, ambas em formato tradicional e não mais hardtop. Teto solar e parte do teto revestida em vinil eram oferecidos. A perua Custom Cruiser fazia parte da linha e usava uma plataforma menor que a do 98. Outro sinal dos tempos era o primeiro uso de um motor de seis cilindros no 88: o V6 de 231 pol³ (3,8 litros) da Buick. A gama de V8 passava pelo Olds de 260 pol³ (4,3 litros), pelo Chevrolet de 5,75 litros, pelo Olds de mesma cilindrada (apenas nos carros vendidos na Califórnia, que atendiam a normas mais severas de emissões) e chegava ao Olds de 403 pol³ (6,6 litros), 188 cv e 44,1 m.kgf. Sempre automática, a caixa podia ter três ou quatro marchas.

A venda de 1,14 milhão de carros naquele ano constituiu um novo recorde para a marca. Já o uso de motor Chevrolet foi criticado por clientes fiéis e, diante das reclamações, a fábrica deu a opção de troca dos carros por versões com motor Rocket, desde que eles pagassem uma compensação pelo uso já feito dos carros. Começava ali o período de motores "corporativos" na GM, em que cada divisão podia recorrer às prateleiras das demais para reduzir custos. Essa possibilidade chegou a constar de anúncios da Olds e de outras divisões por alguns anos — para que ninguém pudesse dizer que não foi avisado antes. Continua

Para ler
Oldsmobile 1948-1963 (Limited Edition Premier) - por R. Clarke, editora Brooklands Books. Lançado em 2009, o livro de 172 páginas em inglês analisa a fase mais interessante do desenho dos Olds no pós-guerra, concluída pouco antes da chegada dos "carros musculosos".

Standard Catalog of Oldsmobile 1897-1997 - por John Chevedden e Ron Kowalke, editora Krause Publications. Como o nome deixa claro, é um vasto catálogo dos produtos dos 100 primeiros anos da longeva marca, com 304 páginas e muitas ilustrações.
Project 2000: The Rise and Fall of Oldsmobile Division of General Motors - por Robert J. Horvath, editora BookSurge Publishing. Para quem gosta de análises político-econômicas, o livro de 2006 contém 168 páginas sobre a ascensão e a queda dessa divisão da GM. O autor trabalhou na empresa por 40 anos.

Oldsmobile 1946-1960 Photo Archive - por Byron Olsen, editora Iconografix. Outra obra voltada ao período que compreende, a nosso ver, os mais marcantes modelos da série 88. São muitas fotos em 128 páginas. O livro é de 2006.

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