O novo chassi era 350% mais resistente à torção e sua seção traseira permitiu adotar uma terceira fila de bancos, elemento que poucos dos oponentes ofereciam

Por dentro, mais equipamentos e painel renovado; sob o capô, o motor V8 modular de 4,6 litros, todo de alumínio, com mais potência e torque

 
Os pneus Firestone
Um dos casos mais notáveis de empurra-empurra entre duas empresas, e que acabou com uma relação de anos entre fabricantes importantes, foi o dos problemas com pneus ATX, ATX II e Wilderness AT, todos na medida P235/75 R 15, produzidos pela Firestone nos EUA e que equipavam utilitários esporte da Ford, Lincoln, Mercury e Mazda. Centenas de acidentes, sobretudo com os Fords, mataram cerca de 250 pessoas só nos EUA. Esse índice exagerado acabou chamando a atenção da National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), órgão que regula o trânsito naquele país, que por sua vez contatou a Ford em maio de 2000.

Os acidentes aconteciam, em geral, quando o pneu perdia a banda de rodagem, desintegrando-se e causando a perda de estabilidade do veículo. Logo a Ford apontou o problema e colocou a culpa na Firestone. Esta, por sua vez, afirmou que o pneu era produzido com base nas especificações do fabricante e que o projeto do Explorer continha erros. A empresa afirmava que a pressão recomendada pela Ford para os pneus, 26 lb/pol², era baixa demais. A revista Car and Driver testou a primeira geração do Explorer em uma pista fechada, com pilotos profissionais, provocando um súbito esvaziamento de um pneu para avaliar as consequências à estabilidade. O carro não teve problemas em nenhum dos testes.

Uma convocação (recall) foi feita para a troca dos pneus, inclusive no Brasil, onde cerca de quatro mil veículos importados pela Ford estavam equipados com as unidades supostamente defeituosas. O jogo de acusações ganhou corpo e as relações entre as marcas, uma parceria de mais de 100 anos, foi desfeita em 2001.

Por dentro estava mais confortável e chamava a atenção a seção central no painel em cor diferente do restante, dependendo da versão, onde se viam o sistema de áudio no topo, os difusores de ar e o controle de climatização logo abaixo. Pela primeira vez o Explorer de cinco portas podia receber uma terceira fila de bancos no porta-malas, ampliando sua capacidade para sete pessoas, uma vantagem sobre vários concorrentes. Media 4,8 m de comprimento, 1,82 m de largura, 1,8 m de altura e 2,88 m no generoso entre-eixos. O motor de entrada era o V6 de 4,0 litros com 210 cv e 35 m.kgf. O mais potente era o inédito V8 de 4,6 litros, 239 cv e 39 m.kgf da nova geração modular da Ford, que trazia cabeçotes de alumínio (no anterior eram de ferro fundido) e compartilhava muitos componentes com o de 5,4 litros.

Os câmbios manual e automático não mudavam, mas havia evolução importante nas suspensões: eram independentes à frente e atrás com braços sobrepostos e molas helicoidais, em uma oportuna despedida do eixo traseiro rígido e de seus feixes de molas semielíticas. A tração integral era apenas revisada. Quatro versões de acabamento estavam disponíveis: XLS, XLT, Eddie Bauer e Limited, onde a XLT respondia pela maior parte dos Explorers vendidos. No caso das mais luxuosas o conforto e a conveniência eram bem pensados: bancos de couro, controle automático do ar-condicionado e disqueteira para seis CDs no painel. Todas as versões recebiam ABS e o Securilock; entre os opcionais estavam sensores de estacionamento, bolsas laterais, controle de estabilidade com monitoramento da inclinação da carroceria, medida para resgatar a confiança do público depois dos problemas com os pneus Firestone (leia boxe ao lado).

Em teste, a revista Car and Driver elogiou o melhor isolamento da estrada, o comportamento dinâmico, os bancos mais confortáveis e a estreia da terceira fila, mas criticou o acréscimo de peso, que sobrecarregava um pouco o V6, e a rigidez estrutural ainda não equiparada à dos melhores utilitários monobloco. A Motor Trend colocou a versão V6 frente a frente com o também novo Chevrolet Trailblazer de seis cilindros em linha, 4,2 litros e 270 cv. O comportamento do novo chassi chamou atenção: "Não só ele oferece conforto e estabilidade anos-luz à frente do antigo, mas também abre espaço para a terceira fila de bancos. O chassi está agora 350% mais resistente à torção e 26% mais robusto contra flexão lateral e vertical que na versão anterior. No primeiro minuto dirigindo o modelo 2002, cada membro da equipe fazia o mesmo comentário: 'Isto é um Explorer? Mas ele roda tão firme e justo.'" Ao fim da comparação, o Chevrolet venceu em desempenho, capacidade fora-de-estrada e preço, mas o Ford foi superior em itens de segurança, estabilidade, ergonomia, acabamento interno e a oferta de lugares adicionais.

Em 2003 a Ford trouxe a nova versão NBX (No Boundaries Experience, ou experiência sem limites). Assim o Explorer recebia rodas de 17 pol com pneus de uso misto, acabamento diferenciado na carroceria e barras de teto. O câmbio automático era de série. A versão XLT ganhava cromados na grade e em detalhes do interior, a Limited vinha com mais cromados no exterior e novo acabamento em madeira por dentro. Um pacote fora-de-estrada também estava disponível com placas inferiores de proteção e suspensão redimensionada. Continua

Os conceitos
Que tal um Explorer mais robusto para cair na mata? Pois essa foi a proposta do Sportsman (acima), de 2002. O estilo era bastante diferenciado, com ângulos fortes e teto alto com uma grande área envidraçada. Por dentro, acabamento esmerado em madeira e sistema de entretenimento no painel. Voltado para aventureiros de plantão, o Sportsman tinha o motor V8 de 239 cv. Se os usuários de utilitários esporte raramente os tiram do asfalto, é natural que se procurem acentuar suas qualidades estradeiras. A Ford fez isso com o Explorer Urban (acima), conceito de 2002. Ele trazia rodas de 20 pol, arcos de para-lamas alargados, suspensão mais baixa, faróis e lanternas em tom fumê, defletores dianteiro e traseiro, dupla saída de escapamento e alterações internas.
No Salão de Los Angeles de 2006 a Ford apresentou uma versão com destaque à consciência ambiental: o Explorer Fuel Cell, dotado de pilha a combustível. O sistema, que usa hidrogênio e não emite poluentes, permitia a boa autonomia de 560 km por tanque e mantinha seis lugares no interior do utilitário, que preservava a tração integral. Em 2008 aparecia no Salão de Detroit esta interpretação do que pode ser o futuro Explorer. O Explorer America, baseado na plataforma do Taurus, levava a estrutura monobloco ao utilitário. Com linhas futuristas, vinha com traços fortes, porta lateral corrediça no lado direito e bússola tridimensional. Os motores eram 2,0 turbo de 275 cv e V6 3,5 com 340 cv.

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