


Apesar de todo o requinte
interno, o Explorer perdeu a liderança de seu segmento: o público tem
preferido utilitários com jeito de um automóvel


Futurismo do interior à
parte, o conceito America de 2008 pode inspirar a próxima geração do
modelo, com menor consumo e mais tecnologia |
A segurança ganhava
atenção em 2004 com a adoção do controle de estabilidade também nas
versões V6, exceto XLS e XLS Sport. Já a NBX recebia de série o
pacote fora-de-estrada que antes era opcional. As versões de topo podiam
ter dois bancos individuais na terceira fila, para mais conforto e
exclusividade. Monitor de pressão dos pneus chegava de série nas versões
XLS Sport e superiores. Depois dessas novidades a Ford deu um descanso à
linha em 2005, preparando-se para uma rápida renovação no ano seguinte.
Menos utilitário
O tempo fez
bem ao Explorer, que cresceu, amadureceu e se tornou mais luxuoso e
confortável, algo importante em um mercado competitivo como o de
utilitários nos EUA. O desenho para 2006 mantinha
a ligação com a versão anterior, mas estava mais sofisticado. A grade
frontal de frisos horizontais cromados tinha continuidade no
para-choque. Os faróis e as luzes de direção faziam um bloco único,
retangular, mas havia uma saliência circular na parte inferior. A
lateral continuava limpa, com retrovisores retilíneos e caixas de rodas
com borda visível, além da presença de um estribo discreto para
facilitar o acesso. Na traseira as grandes lanternas avançavam na
lateral. A tampa do compartimento de bagagens ia além do limite do
para-choque e seu vidro podia ser aberto em separado. Por dentro o
ambiente era aconchegante. À frente do motorista o volante podia ter
diversos comandos, como os de áudio, e um mostrador digital mostrava
várias funções. O painel estava alto e elegante, com destaque para a
opção de uma grande tela multifuncional ao centro. Painéis de portas
também eram elaborados, mesclando formas retas e circulares.
Os motores também eram revistos. O V6 teve as emissões reduzidas,
entregando agora 210 cv, e o V8 de duas válvulas por cilindro era
substituído por outro com três válvulas, semelhante ao do Mustang, com
292 cv e 41,5 m.kgf. Com o novo V8 chegava também uma caixa automática
com seis marchas, o que explorava melhor a curva de torque e trazia
economia. As versões agora eram XLS, XLT, Eddie Bauer e a de topo
Limited. Controle de estabilidade vinha de série em todo Explorer. Em
comparativo ao Jeep Commander, a Car and Driver destacou no Eddie
Bauer 4x4 o melhor nível de NVH, sigla em inglês para ruído, vibrações e
asperezas. "Em marcha-lenta, a toda aceleração e cruzando a 110 km/h, o
Explorer mostrou-se menos vocal que o Commander. Sua capacidade de carga
e o banco traseiro também são superiores." Sobre o motor, "53 novos
cavalos fazem uma óbvia e gratificante diferença. Só não vá se gabar aos vizinhos sobre seu passeio hot-rod: a
velocidade máxima foi limitada a 160 km/h." O que a publicação não
aprovou é que "não importa quando você o dirija, você percebe que está
num utilitário — refinado, mas ainda um utilitário".
A versão XLS era suprimida em 2007, enquanto sistema de navegação,
para-brisa com desembaçador elétrico, estribos retráteis com o carro em
movimento e nova opção de áudio com entrada para toca-MP3 eram
adicionados ao catálogo de opcionais. Uma nova versão especial, a
Ironman, voltada aos atletas e apreciadores de esportes, era oferecida
sobre a XLT. Trazia pintura preta por fora e dois tons de couro no
interior. No ano seguinte as bolsas infláveis laterais tornavam-se
equipamentos de série. O sistema Sync, com conectividade e comando de
voz para telefone celular, sistema de áudio e de navegação, chegava ao
modelo. Rodas de 20 pol em alumínio polido eram outra opção. Em 2009 o
XLT Sport voltava ao mercado, trazendo controle de estabilidade apto a
monitorar um reboque e sistema Sirius de rádio por satélite que,
associado ao navegador, permitia ao motorista acessar informações sobre
tráfego, preços de combustíveis, previsão do tempo e até mesmo o placar
do esporte favorito ou uma lista de filmes.
As mudanças do Explorer o mantêm no mercado até uma nova geração chegar,
talvez em 2011. Se hoje os norte-americanos preferem utilitários esporte
com características mais próximas às de um automóvel (o Honda CR-V
lidera o segmento na atualidade), a própria história se encarrega de
divulgar os conceitos de versatilidade e imponência tão agregados a esse
modelo de grande sucesso da Ford. Com tantos predicados — embora com a
imagem arranhada em certo momento —, não é à toa que o Explorer se
tornou um dos modelos mais vendidos de todos os tempos no segmento.
|