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Suspensão por braços
sobrepostos, nova direção e freios a disco atrás faziam pela mecânica o
mesmo que o painel modernizado pelo interior


O clássico motor V8 302, com 210
cv e 28,5 m.kgf, trouxe ao Explorer o torque que faltava; no primeiro
ano foi oferecido só com tração traseira |
A
Ford fez pequenas mudanças no utilitário em 1992, como alongamento do
diferencial para reduzir o consumo, novas rodas para XLT e Eddie Bauer e
conveniências bem-vindas como ajustes elétricos para os bancos
esportivos opcionais, porta-copos no console central (não poderia faltar
em um carro norte-americano), sistema de ar-condicionado revisto e
função um-toque para o comando do vidro
do motorista. O motor passava a 160 cv no ano seguinte e chegava ao
catálogo a versão Limited, a mais luxuosa. Trazia faróis com acendimento
automático, console no teto com bússola e termômetro externo, luzes de
neblina e caixa automática de série. Os cromados davam lugar à mesma cor
da carroceria, mas a maior novidade foi a adoção do sistema
antitravamento dos freios (ABS) nas quatro rodas. Internamente o volante
era novo, assim como a grafia do painel de instrumentos. No entanto, a
Ford já enfrentava a renovação da concorrência por meio do Jeep Grand
Cherokee e do novo Blazer (na mesma geração que chegaria ao Brasil),
além dos japoneses aprimorados.
Primeiras
evoluções
O Explorer
passava em 1995 por uma reestilização que mudou bastante suas feições.
Saíam as linhas retas da dianteira e entravam faróis mais arredondados,
grade e para-choques também novos, assim como as lanternas traseiras.
Por dentro o ambiente ficava mais moderno, com novo painel e redesenho
das portas, tudo com um pouco mais de curvas. Havia uma disqueteira para
seis CDs no console e bancos com ajuste elétrico; para os passageiros de
trás chegavam encostos de cabeça. Se as medidas mudavam muito pouco,
porque a carroceria era basicamente a mesma, na parte mecânica havia
boas novidades. A antiga suspensão dianteira de semieixos oscilantes
dava lugar a um sistema mais moderno com braços sobrepostos e barras de
torção, de comportamento dinâmico muito superior; a caixa de direção
passava a ser de pinhão e cremalheira, mais leve e precisa; e a nova
tração Control Trac com controle eletrônico (dotada ainda de reduzida)
entrava em ação de forma automática, enviando força às rodas dianteiras
em caso de perda de aderência das traseiras. Para a segurança chegavam
bolsas infláveis frontais e os freios eram todos a disco com ABS.
A revista Motor Trend elogiou "o vasto aprimoramento em
dirigibilidade. A direção tem maiores precisão e sensibilidade. A nova
suspensão lida com pisos ásperos com mais compostura, mas o Explorer
ainda não iguala o conforto de rodagem de parte dos competidores". Os
novos predicados davam-lhe o posto de melhor compra do ano da
Consumer Guide: "A adição de duplas bolsas infláveis coloca-o à
frente dos rivais Blazer e Grand Cherokee, que têm a bolsa apenas para o
motorista. O sistema de tração automático é uma característica
agradável, embora o Jeep ofereça tração integral permanente há anos." No
comparativo da Popular Mechanics com o Blazer LS, ambos com motor
V6, o Explorer mostrou melhores freios e estabilidade, embora perdesse
em aceleração (de 0 a 96 km/h em 10,5 segundos contra 8,7 s) e retomada.
A conclusão foi que "o Blazer é um pouco menor, tem um rodar mais
próximo ao de um automóvel e oferece um pouco mais de empurrão — e
também custa um pouco menos. O Explorer, por outro lado, oferece mais
espaço, uma presença mais imponente e o benefício da bolsa inflável do
passageiro."
No ano seguinte, junto ao V6, chegava o V8 "Windsor" de 4,95 litros (302
pol³, a clássica unidade que em geração anterior equipou nossos
Galaxie e
Maverick) com 210 cv e 38,7 m.kgf, de
início só
disponível no acabamento XLT com caixa automática e tração traseira. O
resultado, na avaliação da Motor Trend, estava "mais para a
suavidade e o jazz de um Thunderbird
LX que para o rock-and-roll do
Mustang GT". Segundo a Ford, foi a nova suspensão que permitiu a
adoção do motor maior, antes inviável com o espaço disponível. A mesma
revista comparou a novidade ao Grand Cherokee, que tinha as vantagens de
potência 10 cv maior, tração integral e peso quase 100 kg mais baixo, em
função da construção monobloco. O ganho com o V8 era "mais aparente
entrando em vias rápidas a partir de acessos em subida. Há uma sensação
firme, satisfatória de empurrão, mesmo quando o utilitário de 1.885 kg
está carregado com mais uma tonelada de humanos e sua bagagem". Outras
novidades eram o assento traseiro embutido opcional para as crianças e
novas rodas para o Limited.
Continua
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