


Pequenas alterações visuais não
conseguiam remoçar o Marea diante dos concorrentes; em 2007 as últimas
versões saíam de fabricação |
Ao
mesmo tempo o Marea passava por uma reestilização da traseira, tida como
seu ângulo menos atraente. Lanternas triangulares, cedidas pelo italiano
Lancia Lybra, e tampa do porta-malas de linhas retas buscavam a sensação
de um carro mais largo e imponente, com prejuízo para a harmonia do
conjunto — destoavam da carroceria toda arredondada. Havia novos itens
de conveniência, mas o maior ganho em conforto ficava para outubro: a
opção de caixa automática de quatro marchas, a mesma usada pela GM no
Vectra, restrita ao HLX. Pouco
depois o ELX adotava o motor 1,75 16V.
Fim de
carreira
A essa época, o lançamento do Stilo na Europa significava o fim do
caminho para Bravo e Brava, enquanto a Marea Weekend logo daria lugar à
Stilo MultiWagon. O novo hatch médio da
Fiat italiana chegava ao Brasil em setembro de 2002 e colocava o Brava
em segundo plano — restava só a versão SX com alguns itens da antiga
ELX. No começo do ano seguinte o hatch deixava de ser produzido.
O Marea, no entanto, tinha de continuar. O mercado já não o comprava em
grande volume, fosse pela rápida renovação de concorrentes como Civic e
Corolla, fosse pela crise de
imagem trazida por problemas mecânicos iniciais. O desempenho dos
motores turbo e de 2,45 litros era seu maior argumento, mas na faixa de
preço dessas versões a competição era intensa. Assim, a exemplo do que
já ocorrera com vários modelos em idade avançada, a Fiat teve de olhar
para baixo e concentrar esforços na redução de preço da versão de
entrada.
Em junho de 2005 o SX adotava o motor que fora do Brava, o 1,6 16V Corsa
Lunga de 106 cv. Além da simplicidade técnica, sem recursos de variação,
o propulsor vinha da Argentina e não da Itália, o que tornava a
importação mais barata. A boa potência em baixa rotação, associada ao
câmbio 21% mais curto, trazia maior agilidade no tráfego urbano do que
se poderia esperar com a perda de 26 cv em relação ao 1,75 16V. Por
outro lado, o motor apenas a gasolina parecia fora de contexto em tempos
de versões flexíveis.
Toda a linha ganhava retoques estéticos, como grade e moldura dos faróis
cromadas, e oferecia sistema viva-voz
Bluetooth para telefone celular. Foi pouco para reacender o
interesse do mercado: em 2007 as versões superiores eram abolidas,
ficando apenas a SX 1,6 para sedã e Weekend, e no fim do ano os últimos
Mareas saíam de produção, perto de completar uma década no mercado. Ele
entrou para a história como um dos carros de melhor desempenho do
período recente de nossa indústria.
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