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Junto ao painel redesenhado
em 1994, a necessidade de alojar a bolsa inflável levou a Citroën a
trocar o volante de um só raio pelo com quatro



A Break acompanhou o hatch nas
últimas evoluções, que incluíam novo motor de 2,95 litros e caixa
automática com funcionamento adaptativo |
Turbodiesel à parte, a perua continuava um grande carro para a família,
com muito espaço e conforto. "A suspensão faz o carro flutuar sobre
ondulações, embora ele não lide com tanta suavidade com superfícies
abrasivas. E, não importa quanta carga haja no porta-malas, o sistema de
autonivelamento impede que a traseira se abaixe, ideal para uma perua.
Apesar de seu rodar macio, a XM tem um manejo preciso. A direção é exata
a ponto de ser nervosa. O carro é um gosto adquirido que retribui com 'finesse'
tão prontamente quanto pune erros".
Outra versão da Break, a V6, foi comparada em 1996 pela revista alemã
Auto Motor und Sport à Mercedes E 230 T e à Volvo 960 Estate.
O resultado não foi o que a Citroën gostaria de ver: último lugar, com a
alemã em primeiro. Seu modelo foi elogiado pelo conforto de marcha,
estabilidade direcional, espaço interno, conforto dos bancos e o motor,
mas recebeu críticas pelos equipamentos de segurança e os custos
elevados de manutenção.
As últimas evoluções do XM — em 1997 — foram a aplicação de bolsas
infláveis laterais dianteiras, o motor V6 da série ES9 e a caixa
automática do tipo adaptativa, em que o gerenciamento eletrônico
"aprendia" com o modo de direção do motorista. A unidade de
2,95 litros desenvolvida em parceria entre PSA e Renault, apesar de usar
quatro válvulas por cilindro como padrão, representava pequena perda de potência
em relação à antiga PRV (194 ante 200 cv), mas com maior torque.
E assim o XM se manteve até junho de 2000, quando discretamente saiu de
produção. A Citroën estava por lançar o C5,
o sucessor do Xantia, que buscava cumprir a tarefa dos dois modelos em um só. Apenas cinco anos mais
tarde haveria um legítimo substituto para o XM, o
C6. E a marca não foi a única a abandonar, ao menos por alguns anos, o
segmento de luxo: o mesmo aconteceu com a Fiat depois do Croma, em 1995,
e com a Ford após o Scorpio, em 1997.
As vendas anuais do XM apontam uma curiosidade. De 46 mil unidades em
1989 e 96 mil no ano seguinte, o total caiu rápida e continuamente: 49
mil carros em 1991, 21 mil em 1993, 12 mil em 1996 e apenas 7.500 em
1998. Com isso, 42% do volume vendido de quase 334 mil unidades
concentram-se nos dois primeiros anos de uma linha que permaneceu no
mercado por 11 anos. Portanto o XM pode, do ponto de vista comercial, ser considerado um fracasso. E
por quê?
Há diferentes explicações. Alguns acreditam que ele foi, em termos
técnicos e de estilo, ousado demais para a maioria dos compradores desse
segmento, mas não ousado o suficiente para os clientes tradicionais da
marca. O fato de ter sido escolhido o formato hatchback não ajudou, pois
em diversos mercados fora da França esse estilo era associado a carros
mais baratos — não foi à toa que concorrentes como Scorpio e Saab 9000,
lançados de início com cinco portas, aderiram mais tarde ao formato de
sedã três-volumes.
O XM sofreu também de problemas de qualidade, como infiltrações,
defeitos elétricos e alto consumo de pneus, que um comprador de carro de
luxo não tolera facilmente. As próprias concessionárias de alguns países
não teriam ajudado, pois o carro se destinava a um mercado restrito e
sua manutenção, complexa, exigia um treinamento que algumas devem ter
considerado um desperdício. Mas esses fatores não tiram dele o brilho de
um carro fascinante sob um aspecto tão caro à marca: a suspensão.
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