

As linhas típicas dos Cadillacs
evitavam chocar clientes tradicionais com o modelo, anunciado como
"próxima geração dos carros de luxo"


Em tempos de petróleo caro, até
motores a diesel foram oferecidos;
o V8 de 5,7 litros tinha modestos 105 cv nos modelos 1980, nas fotos |
Com
5,62 de ponta a ponta e 3,08 m de entre-eixos, o sedã e o cupê estavam
longe de ser carros pequenos, mas economizavam vários centímetros sobre
os enormes modelos anteriores — e o peso de 1.920 kg do quatro-portas
representava uma dieta de mais de 400 kg. Mesmo encolhidos, os carros
mantinham o espaço interno para pernas e cabeças e até ganhavam em
capacidade de bagagem, o que levava a marca a convidar em sua
publicidade: "Você precisa dirigi-lo para entender por que nós o
chamamos de próxima geração dos carros de luxo".
Talvez para não chocar tanto os conservadores, a Cadillac manteve em
grande parte as linhas que vinha usando até então. O pacote d'Elegance
continuava disponível, assim com um arranjo para o teto do cupê (chamado
de Cabriolet) que fazia lembrar os extintos conversíveis. Também
reduzido estava o motor, um V8 de 425 pol³ (7,0 litros) com versões a
carburador quádruplo (180 cv e 44,2 m.kgf) e a injeção (195 cv e o mesmo
torque). Pertencia à família do 472, mas pesava 45 kg a menos que este.
O chassi redesenhado e com novas suspensões ainda estava separado da
carroceria.
Um
Cadillac a diesel
Depois de
tal intervenção, o DeVille passou alguns anos com mudanças sutis. A
linha 1978 trazia novos para-choques e grade e maior proteção contra
corrosão. Importante mesmo era a chegada do motor V8 a diesel da
Oldsmobile, de 350 pol³ (5,7 litros), com modestos 120 cv e 30,4 m.kgf.
Um ano depois chegavam um rádio com mostrador digital e busca
automática, retrovisores com comando elétrico e as edições especiais
Custom Phaeton Coupe e Custom Phaeton Sedan, com janelas laterais
traseiras menores, teto que lembrava o do conversível e bancos e volante
de couro.
Na publicidade, a Cadillac explicava a razão do uso de um combustível
mais associado a caminhões que a carros de luxo: "O tempo é ideal para
carros que combinam a economia de combustível e a autonomia de um diesel
ao conforto e à conveniência de um Cadillac. (...) Com sua favorável
relação peso-potência, um Cadillac fornece aceleração impressionante
para um diesel. O equilíbrio dinâmico do motor V8 também contribui para
a suavidade de funcionamento. Dirigir um Cadillac a diesel é como
dirigir qualquer Cadillac — muito agradável".
Alterações na carroceria para 1980 resultavam em mais espaço no banco
traseiro, por meio do formato do teto, e alteravam ligeiramente as
linhas da frente. O motor a gasolina diminuía para 368 pol³ (6,05
litros), com 150 cv e 36,6 m.kgf; o opcional a diesel também perdia
desempenho, ficando com 105 cv e 28,3 m.kgf. A Popular Mechanics
avaliava: "O conforto de marcha foi aprimorado, apesar dos pneus de alta
pressão e mais duros, assim como a proteção contra corrosão e o
isolamento de ruídos. A forma mais retilínea do teto do Coupe DeVille
permite aos passageiros de trás se sentarem mais recuados, para maior
espaço de pernas".
"Esses carros são excepcionalmente espaçosos, confortáveis e
silenciosos. Rodam como tradicionais carros de luxo norte-americanos e
surpreendem pela agilidade em curvas, próxima à de caros sedãs europeus
— em especial com a suspensão mais firme oferecida", concluía a revista.
Um ano depois aparecia o recurso chamado de V8-6-4: o motor, agora
dotado de injeção eletrônica de série, podia ter dois ou quatro dos
cilindros desativados de forma automática, para reduzir o consumo em
condições de baixa demanda por potência, religando-os pela pressão no
acelerador.
Continua
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