Se as alterações de estilo eram sutis, o DeVille 1964 tinha novidades como o motor de 7,0 litros e o primeiro ar-condicionado automático

Sedã e cupê ganhavam novo chassi e dispensavam as aletas em 1965, primeiro ano em que um DeVille quatro-portas podia ter coluna central

Depois da reforma frontal e dos para-lamas ondulados, 1968 (em cima) trazia motor revitalizado; um ano depois os faróis vinham na horizontal

Em pesquisa com proprietários, a Popular Mechanics apontou como aspectos mais elogiados dos Cadillacs o conforto interno e de rodagem, a facilidade de manejo e o desempenho; as poucas reclamações acusaram o sistema de aquecimento da cabine e, curiosamente, a localização dos cinzeiros. Nove em 10 voltariam a comprar um carro da marca. Na opinião da revista, "a direção é precisa e o carro vai exatamente para onde se aponta. A qualidade de rodagem é um pouco superior à média, mas em pisos ruins surge uma vibração abafada do grande eixo traseiro".

O estilo voltava a ser revisto em 1964, mas com moderação, como a grade e as aletas. Com a extinção do Park Avenue e do Town Sedan, a linha compreendia o Coupe, os sedãs de quatro e seis janelas e — pela primeira vez na série DeVille — o conversível, todos com 5,67 m de ponta a ponta. Inédito na indústria era o ar-condicionado Comfort Control, dotado de controle automático de temperatura, que dispensava ajustes e correções à medida que o aparelho aquecesse ou refrigerasse a cabine.

Em teste com o Sedan DeVille, a revista Road & Track analisava: "O novo aquecedor e ar-condicionado é, provavelmente, o mais importante desenvolvimento nesse campo que você jamais verá. Não importassem as condições externas, a temperatura interna estava sempre exatamente como queríamos — sem ao menos se tocar o instrumento depois da configuração inicial".

Na mecânica, mais novidades: o V8 passava a 429 pol³ (7,0 litros), para 340 cv e 66,2 m.kgf com carburador quádruplo, e a caixa automática passava a ser a Turbo HydraMatic. "O desenho básico do motor data de 1949, e desde então ele tem sido ampliado e refinado. As polegadas cúbicas a mais deste ano, ao lado do conversor de torque mais eficiente da transmissão, melhoraram bastante o desempenho do carro e combinam-se para excelente aceleração. A perda de ação dos freios por aquecimento, sempre presente em tambores, mostrou-se abaixo da média", contava a revista.

A despedida das aletas   O modelo 1965 era reformulado desde o chassi, agora do tipo perimetral, o que permitiu montar o motor 15 cm mais à frente e aumentar o já generoso espaço interno. Como vários modelos de outras marcas naquele ano, o DeVille vinha com dois faróis empilhados de cada lado, montados avançados em relação a parte da grade, embora esta tivesse um bico saliente no centro.

Depois de 17 anos, os "rabos de peixe" ficavam no passado, deixando o perfil do modelo com aparência de ser ainda mais longo — na verdade, media só 2 cm a mais, com o mesmo entre-eixos. Os vidros laterais ganhavam curvas e, no conversível, o vigia passava a ser também em vidro. Pela primeira vez um DeVille podia vir com coluna central, o Sedan convencional, embora o Hardtop Sedan e o Coupe continuassem sem ela, fazendo companhia ao conversível. Pneus maiores (8,00-15) eram uma das poucas alterações técnicas.

Por trás de uma aparência quase sem mudanças, a linha 1966 trazia ganhos internos como bancos dianteiros individuais reclináveis como opção e rádio AM/FM estéreo; a mecânica sofria evoluções no chassi e no motor, sem aumento de potência. Um ano depois, uma reforma de estilo dava-lhe para-lamas traseiros ondulados — o clássico estilo "garrafa de Coca-Cola" que tomava conta da indústria —, uma frente mais imponente e novo formato de teto no cupê.

Sob o capô estava a grande novidade de 1968: como o antigo motor V8 não poderia superar 7,0 litros, a Cadillac desenvolveu um novo com 472 pol³ ou 7,7 litros — a maior cilindrada do mercado norte-americano e, talvez, do mundo na época — que, com carburador quádruplo, rendia 375 cv e soberbos 72,6 m.kgf e era, ainda assim, 36 kg mais leve que o anterior. O DeVille estava ainda mais comprido (5,70 m com o mesmo entre-eixos), mas conservava o estilo e as versões.

No ano seguinte, faróis em alinhamento horizontal, montados mais para o centro, substituíam os verticais para que o DeVille lembrasse o Eldorado. Capô e para-lama traseiros estavam mais longos, e o perfil do teto na parte de trás, mais retilíneo, mas no restante a carroceria — como a mecânica — era a mesma. Continua

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