Esta unidade foi entregue na forma de um Cabriolet branco da Weinberger, empresa de Munique. Ainda na linha mais esportiva, Jean Bugatti, filho de Ettore, criou o mais inusitado dos Royales: um roadster sem faróis para um afortunado comerciante de peças de vestuário, Armand Esders. O cliente jamais dirigia à noite. Dos seis modelos de série, somente mais uma terceira unidade seria de fato vendida: uma limusine cuja carroceria levou a assinatura da Park Ward. Bugatti manteve em seu acervo pessoal dois Royales. Um deles "trajava" Kellner, produtor alemão de carrocerias. Foi esse sedã sóbrio que bateria o recorde de valor pago por um carro em leilões em 1987 (leia boxe).

O Napoléon de Jean Bugatti inspiraria a carroceria da francesa Binder, adotada pelo segundo dono do conversível de Esders

O outro tinha o compartimento do motorista aberto, estilo chamado de Coupé De Ville, e a parte coberta posterior bastante iluminada graças a um teto solar de quatro janelas. Jean Bugatti foi o autor dos traços dessa unidade, fazendo dela o mais autoral e reverenciado Royale. É o chamado Coupé Napoléon. De todos os seis Tipos 41 produzidos, apenas o curioso exemplar de Esders sofreria modificações posteriores à venda: o segundo dono do carro trocou a carroceria roadster original por outra fortemente inspirada no Napoléon. Também ao estilo De Ville, essa nova roupagem foi realizada pela Binder de Paris, que guardou a carroceria roadster até ela ser encontrada destruída após a Segunda Guerra.

Nenhum membro da realeza chegou a adquirir um Royale. O rei Zog, da Albânia, chegou a visitar Bugatti na esperança de adquirir um, mas, ao ver os modos do rei à mesa, o projetista italiano se recusou a tê-lo como cliente. Já o Coupé Napoléon é alvo de outro episódio nebuloso. Reza a lenda que ele teria sido encomendado pelo rei Carol da Romênia, mas é fato que acabou nas mãos da família Bugatti. Contudo, se o carro criado para os mais nobres dos proprietários não teve espaço em nenhuma garagem real, isso tampouco seria preciso.

Outra miniatura da Heco mostra o chassi do Royale como era entregue aos encarroçadores

O Royale foi capaz de se tornar o mais suntuoso dos carros nos anos em que existiu. Enfrentou a grave crise econômica dos anos 30, conseqüência da queda da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, com toda pompa e circunstância. Mas estava reservado a ele um panteão de honras que em nada dependem do número de unidades produzidas ou vendidas. E como quem já foi rei não perde a majestade, seu legado e seu mito continuam tão intactos quanto, aparentemente, inatingíveis na estratosfera das grandes obras-primas já produzidas sobre quatro rodas.

Ficha técnica
_ Royale 1926 (protótipo
com carroceria Packard)
Royale 1930
(carroceria Weinberger)
MOTOR
Posição e cilindros longitudinal, 8 em linha
Comando e válvulas por cilindro no cabeçote, 3
Diâmetro e curso 125 x 150 mm 125 x 130 mm
Cilindrada 14.726 cm3 12.763 cm3
Taxa de compressão ND
Potência máxima (estimada) 300 cv a 2.000 rpm
Torque máximo ND
Alimentação carburador
CÂMBIO
Marchas e tração 3, traseira
FREIOS
Dianteiros e traseiros a tambor
SUSPENSÃO
Dianteira eixo rígido, molas semi-elíticas
Traseira eixo rígido, molas em quarto de elipse
RODAS
Pneus 7,50-24
DIMENSÕES
Comprimento 5,99 m ND
Entreeixos 4,57 m 4,29 m
Peso 2.250 kg 3.190 kg
DESEMPENHO
Velocidade máxima ND 200 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h ND
ND = não disponível

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