Um bloco único embutia o diferencial e o câmbio de três marchas, na parte posterior do carro, ligados por dois eixos um tanto curtos ao motor e a embreagem. A primeira marcha tinha relação de 2,083:1 e, graças ao torque fenomenal do carro (cujo valor até hoje é desconhecido), só era usada em casos de saída em aclives íngremes. Com relação de 1:1, a segunda marcha era tão elástica que podia levar o Royale de zero a velocidades como 120 ou mesmo 150 km/h. Enquanto ela era utilizada praticamente em tempo integral, a terceira marcha (0,738:1) era guardada para baixar as rotações em velocidades mais altas, atuando como uma sobremarcha.

A estatueta no topo do radiador -- um elefante empinado -- foi criada por Rembrandt Bugatti, irmão de Ettore. Acima o colossal motor de 12,7 litros do Royale, que mais tarde seria usado em locomotivas

Todo esse monumental conjunto era responsável por uma potência alegada de 250 cv a 1.700 rpm. Mas há quem diga que o Royale produzia algo na casa dos 300 cv a 2.000 rpm, um valor mais assombroso que qualquer "fantasma" que viesse da Rolls-Royce na época. E a velocidade máxima prevista, dependendo da carroceria, era de 200 km/h. Seu desempenho era surpreendente se considerarmos os cerca de 2.600 kg que o Royale pesava — vazio. Não foi por acaso que unidades não utilizadas do motor viriam a equipar locomotivas mais tarde.

Fraque e cartola   Logicamente, um carro da estirpe do Bugatti Royale não poderia trajar qualquer carroceria. Somente os mais conceituados produtores da Europa poderiam cobrir o "monárquico" Tipo 41. Fosse ele vestido por roupas, não bastariam terno, gravata e chapéu: surgiria de fraque e cartola. Ironicamente, a versão mais aceita da história do Royale é de que a primeira carroceria a ser utilizada foi uma antiga peça em estilo torpedo da americana Packard, então marca célebre e respeitada, mas sem a pretensão de fazer carros tão exclusivos.

Jean Bugatti, filho de Ettore, criou um Royale inusitado -- sem faróis -- para o cliente Armand Esders, que nunca dirigia à noite; esta é uma réplica da versão

De qualquer modo, essa é apenas uma das variadas controvérsias envolvendo o modelo. Outro motivo de discussão é quando os carros foram produzidos. Dos 25 inicialmente previstos, somente sete chassis e 11 carrocerias teriam sido feitos, incluindo nessa conta o protótipo do Royale. Quatro dessas carrocerias foram montadas sobre ele, de 1926 em diante. A primeira teria sido mais tarde substituída por um sedã de quatro portas em 1927 (alguns dizem 1928) e, a seguir, um cupê chamado de Coupé-fiacre, no fim desse mesmo ano. Continua

O mais caro de todos os tempos
Se novo ele já custava mais que o dobro do mais caro Rolls-Royce da época, não é de se impressionar que no universo dos leilões o mais espalhafatoso Bugatti também seja um recordista. Ao oferecer o Tipo 41 Royale 1931 com carroceria Kellner para lances em Londres, em novembro de 1987, a casa de leilões britânica Christie's conseguiu vendê-lo pela assombrosa quantia de 5,5 milhões de libras esterlinas.

Era uma época em que o automóvel antigo viveu uma febre como símbolo de status entre os endinheirados dos Estados Unidos e Europa. Ainda assim, o Royale, já tão envolto em uma rarefeita aura de admiração, respeito e mistérios, ganhou mais um superlativo para sua coleção.

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