Mostrada em miniatura da Heco, a carroceria Coach Weymann, com baú na traseira, que foi destruída

Em seguida viria uma carroceria Coach Weymann, em duas cores, que o próprio Ettore Bugatti destruiria mais tarde num acidente. Antes disso, porém, foi nessa configuração que o Royale apareceu pela primeira vez aos olhos do grande público. Foi em 4 de junho de 1929, no Concours de l'Auto, em Paris. O compartimento de passageiros do Coach Weymann terminava pouco antes do eixo traseiro e tinha um grande baú logo atrás, onde era preso o estepe. Mesmo sendo uma peça independente, o baú traseiro já adiantava o estilo três-volumes com porta-malas embutido que seria popularizado a partir dos anos 40.

Em comum, todas as carrocerias tinham a enorme frente — dois metros até chegar ao pára-brisa — ornada com um mascote na forma de um elefante em pé. Aspecto comum na época, os eixos eram localizados nas extremidades do carro. Havia poucos adereços mesmo na frente e a cor mais freqüente era o preto. Essa discrição compensava as avantajadas medidas externas e sob o capô. Por dentro também predominava a racionalidade. Com poucos instrumentos, o painel era funcional e sem decoração. O estofamento e revestimento interno eram os únicos elementos onde algo mais inusitado, como estampas, poderia surgir. Fica claro que o propósito de Bugatti era que os méritos do carro deviam se provar na prática, não na aparência.

Um interior funcional e sem os exageros que se viam no porte e na mecânica: Ettore entendia que os méritos do automóvel deviam se provar na prática, não na aparência

Enquanto o protótipo era modificado, um chassi definitivo com menores distância entre eixos (4,27 metros) e bitola (de 1,65 para 1,60 m) estava para ficar pronto. O motor também perdeu um pouco de sua "exuberância métrica": passava para 12.763 cm³, com curso de 130 mm. Mas a potência se mantinha nos mesmos patamares. O primeiro Royale efetivamente vendido seria vestido com uma carroceria "sedã de viagem" confeccionada pela própria Bugatti. Outro foi adquirido por um médico alemão, que não se privou de pagar mais que o dobro do valor do mais caro Rolls-Royce. Continua

Reunião de classe
O Museu Nacional do Automóvel de Mulhouse, na França, abriga uma das maiores coleções de Bugatti existentes, se não a maior, com carros de passeio e de corrida. Até uma réplica do Royale roadster de Armand Esders foi providenciada, com base num chassi de época, para enriquecer o acervo exposto. Mas foi em 1990 que um encontro inusitado atiçou a curiosidade de apaixonados por carros antigos de todo o mundo.

Tanta dedicação aos Bugattis ajudou o museu francês a conseguir a façanha de reunir todos os seis Royales originais produzidos — o protótipo não contaria, pois ele fora destruído pelo próprio Ettore Bugatti. Lá estavam a obra-prima da marca em todas suas diferentes caracterizações: Binder, Weinberger, Park Ward, Kellner, sedã de viagem e Coupé Napoléon. Eis um encontro com que muitos organizadores de concursos de elegância podem sonhar para talvez algum dia conseguir repetir.
Para ler

Bugatti Royale, le Rêve Magnifique - por Paul Kestler, Editions Retroviseur. Com 153 páginas em francês, as fotos nunca antes publicadas são umas das principais atrações deste completo estudo sobre o Tipo 41 Royale. É um título relativamente fácil de encontrar na internet por um bom preço.

Guide Bugatti, tous les modèles de 1910 à nos jours - por Maurice Sauzay, editora EPA. Escrito por um bugattista conhecido, cobre toda a produção de Molsheim em detalhes, com textos organizados ano a ano e imagens exclusivas. São 128 páginas em francês.

The Illustrated Directory of Classic Cars - por Graham Robson, editora Motorbooks International. Com mais de 250 clássicos desde a virada do século 19 para o 20, o livro de 480 páginas em inglês dá ao Royale apenas duas páginas, mas serve como uma completa referência bibliográfica.

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