


Muito plástico, estepe
externo e grandes pneus mostram trabalho mais extenso da Fiat na
Adventure, cujas linhas seguem traços mais retos



Embora mais arredondada, a
Livina tem aspecto discreto e que não soa tão moderno; a decoração da
versão X-Gear é bem menos chamativa |
Concepção e
estilo
Elas nasceram de
maneiras bem diferentes. A Idea é a adaptação ao Brasil de um projeto de
mercado desenvolvido: lançada em 2003 na Europa, ganhou uma similar
nacional dois anos mais tarde, só que baseada em uma plataforma
diferente, que aproveita parte dos componentes da linha Palio. A versão
Adventure, projeto local, apareceu em 2007. Por sua vez, a Livina é um
projeto para países emergentes, lançado em 2006 em mercados como o
chinês e o tailandês e trazido no ano passado ao Brasil com as mesmas
características básicas. O pacote X-Gear veio pronto de outros mercados.
Apesar dos três anos — meia geração — a mais de mercado mundial, a Idea
não parece mais antiga que a Livina, talvez porque a Nissan recorreu a
linhas tradicionais, típicas de mercados onde estilo não é prioridade.
Uma mais retilínea, a outra levemente arredondada, ambas têm aspecto
contemporâneo sem chegar a impressionar. Nestas versões, porém, a Fiat
foi mais longe no tratamento "aventureiro" ao aplicar à Adventure um
misto de barras de teto e aerofólio, montar o estepe na traseira e usar
quatro faróis auxiliares. A X-Gear é mais discreta, apenas com molduras
em plástico preto e novos para-choques. Por essa diferença, nota-se que
a Idea divide mais opiniões, sendo tão elogiada quanto criticada,
enquanto a Livina é mais morna em termos de reações do público. Um
detalhe que a Nissan deveria ter evitado são os calombos no fim do teto,
que escondem as dobradiças da quinta porta.
Há equilíbrio em coeficiente aerodinâmico (Cx),
de 0,336 na Livina e 0,34 na Idea, segundo as fábricas. Contudo, feita a
multiplicação pela área frontal estimada, chega-se a 0,84 na primeira e
exagerados 0,94 na segunda, o que indica resistência ao ar 10% menor na
Nissan.
Conforto
e conveniência
Se por fora a Idea
brasileira segue as formas da italiana, no interior a situação é bem
diferente: o painel em posição central do modelo europeu dá lugar a um
ambiente tradicional, com muitos componentes em comum à linha Palio para reduzir custos. Com isso, mesmo não sendo expoente em
desenho ou materiais de acabamento (equivalentes aos da rival, ou seja,
de aspecto apenas regular), o interior da Livina transmite melhor
impressão — e é também mais funcional, como veremos adiante. Essa
consideração valeria mesmo que ambas estivessem equipadas com
revestimento dos bancos em couro, opcional só presente na X-Gear (a
Adventure usava um tecido de qualidade mediana e decoração jovial, com o
nome da versão bordado nos encostos dianteiros).
A funcionalidade começa pela posição do motorista, bastante boa na
Livina e apenas razoável na Idea, onde há claro desalinhamento (da ordem
de 5 cm) entre o volante e os demais elementos, ou seja, banco e pedais.
É difícil imaginar que seja assim em um projeto europeu deste século,
parecendo-nos uma provável consequência das adaptações feitas na versão
nacional. Ambas oferecem volante de três raios com boa pega e ajuste de
altura (não em distância), mas o banco da X-Gear é duro e tem
apoio lombar excessivo, o que deveria ser reestudado. Embora devesse
haver regulagem de altura do assento, o ponto em que ela foi definida é
adequado, com espaço suficiente para os mais altos e visibilidade
satisfatória para pessoas baixas. A reclinação do encosto em pontos
definidos, comandada por alavanca, não é ideal.
A exemplo do Honda Fit, a Livina substitui o marcador de temperatura do
motor por luzes-piloto que indicam que ele está frio (importante para o
motorista saber quando dirigir com moderação) ou superaquecido, o que
dispensa plenamente o instrumento. Além dele, a Idea acrescenta
computador de bordo, com todas as funções usuais e dupla medição de
distância, consumo e velocidade média;
configuração de funções e três mostradores no topo da parte central
do painel, mais decorativos que úteis, que são bússola e clinômetros
(marcam a inclinação do veículo) longitudinal e transversal. Iluminados
em laranja (Idea) e amarelo (Livina, de forma permanente), os
instrumentos de ambas têm fácil leitura e os da Fiat não são
prejudicados pelo fundo claro, que escurece sob baixa luminosidade
ambiente. Já a decoração do quadro da Adventure, saturada de detalhes e
elementos amarelos, é de gosto um tanto discutível.
Um ponto realmente crítico da Idea — que nos desculpem os leitores já
cansados dessa observação, pois ele vem desde o primeiro Palio — é a
posição baixa dos difusores de ar centrais, que dificulta direcionar o
ar frio para onde ele deve ir (a parte superior da cabine) e acentua a
deficiência do ar-condicionado do modelo, incapaz de dar conta do volume
interno do carro. Que ao menos o fabricante providencie uma saída adicional acima do
painel, como havia no Marea e no Brava. Na Livina os difusores estão em
posição ideal, no topo. Já o
controle elétrico dos vidros da Fiat é mais prático, pois traz
função um-toque e
sensor antiesmagamento para todos (só
para o do motorista na Nissan), temporizador
e fechamento automático ao trancar o carro por fora.
Continua
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