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Se não é um expoente em desempenho, o Fiesta consome pouco e sua suspensão bem acertada concilia ótima estabilidade e rodar confortável

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Bem colocado em desempenho e intermediário em consumo, o City tem suspensão firme, mas com estabilidade prejudicada pelos pneus finos

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Mais veloz dos três, o Cerato usa pneus bem largos que aumentam a aderência; com uma suspensão macia, mantém bom nível de conforto

Em desempenho, os três adversários alternam posições, embora com relativo equilíbrio. A simulação indicou maior velocidade máxima no Cerato; já o City levou discreta vantagem em aceleração e retomada e consumo mostrou marcas mais favoráveis ao Fiesta (veja os números e a análise detalhada). Vale lembrar que nele e no City pode-se usar álcool; no sul-coreano ainda não.

A caixa manual da Honda é referência pelo comando levíssimo e preciso, que convida a seu uso, mas as dos outros modelos também estão acima da média da classe. Tanto no City quanto no Fiesta, aplicar a marcha à ré é mais confortável, ao lado da quarta e sem anel-trava; no Cerato ela fica junto à primeira, o que requer uso de anel-trava.

Embora os três modelos adotem os mesmos conceitos de suspensão (McPherson à frente, eixo de torção na traseira), obtêm diferentes resultados. O melhor equilíbrio entre conforto e comportamento dinâmico nos pareceu o do Fiesta, que usa molas macias, amortecedores algo firmes — calibração típica de bons carros europeus — e pneus em medida bem escolhida para o peso e a potência, 185/60 R 15. O fato de serem fabricados na China e de marca sul-coreana, Kumho, pode causar estranheza em um carro mexicano de marca norte-americana, mas em nada afeta sua adequação ao modelo. O Fiesta mostra-se sempre "na mão" e tem um rodar confortável, com destaque para a ótima absorção de irregularidades e asperezas.

O Cerato mostra acerto semelhante, mas é um pouco inferior em precisão ao andar rápido, apesar da alta aderência dos pneus 215/45 R 17, opcionais (também da Kumho). Em contrapartida, a suspensão macia o deixa bastante confortável, ainda que o perfil baixo desses pneus transfira mais as irregularidades do piso — a versão com medida 205/55 R 16 é melhor nesse aspecto. Quanto ao City, tem a suspensão mais dura dos três, com molas e amortecedores firmes que sacrificam um pouco o conforto, mas sai prejudicado em comportamento pelos pneus muito estreitos (Pirellis 175/65 R 15).

Um inconveniente comum aos três é a falta de batente hidráulico nos amortecedores, que leva a uma pancada bem audível ao passar mais rápido por lombadas. O Fiesta ainda incomoda pelo baixo defletor plástico sob o para-choque, que raspa em praticamente todas elas ao passar a certa velocidade.

Direção é outro ponto de destaque do Ford, que aproveita a assistência elétrica para reduzir em muito o peso em baixa velocidade, enquanto ganha precisão correta em alta. A do City, com o mesmo tipo de assistência, é algo mais pesada em baixa, assim como a do Cerato, que recorre ao sistema hidráulico. Em freios a vantagem é do Kia, dotado de discos também na traseira, e do Ford, que também traz sistema antitravamento (ABS). No Honda, além do uso de tambores atrás, falta o ABS, que só equipa as versões EX e EXL. Com os pneus estreitos, nota-se tendência a travar rodas em frenagens intensas.

Os faróis mais eficazes são os de Cerato e Fiesta, dotados de duplo refletor de superfície complexa; no City, as unidades de mesma tecnologia usam refletor único e mostram clara desvantagem quando se usa o facho alto, pois o baixo se apaga e surge um vazio à frente do carro. O único a ter repetidores laterais das luzes de direção e faróis de neblina é o sul-coreano, mas nenhum traz a luz traseira para nevoeiro.

Lamenta-se que no Fiesta as luzes de direção de trás sejam vermelhas, em vez da cor âmbar que é padrão aqui, e usem as mesmas lâmpadas das de freio (ao frear e dar seta, um lado pisca e só o outro se mantém aceso). Esse arranjo de padrão norte-americano, também visto no Fusion, foi permitido por uma concessão no Brasil, mas deveria — em nome da clareza de sinalização no tráfego — ser alterado pelo fabricante, como fazem Honda e Volkswagen, por exemplo, em modelos trazidos dos EUA e do México.

São carros equivalentes na visibilidade adequada para frente, sem que as colunas incomodem além da média (um pouco mais no City), e algo prejudicada para trás pela altura da tampa do porta-malas. Em retrovisores, vantagem do Honda e do Kia, que usam grandes espelhos convexos — até exagerados para esse tipo de lente, provavelmente pela previsão de uso de espelho plano no lado do motorista, padrão nos EUA. Esse é um ponto crítico do Ford: com lente plana no esquerdo, o campo visual é extremamente limitado, e isso logo no modelo que trouxe ao Brasil (junto do Vectra, em 1996) o retrovisor convexo nesse lado. Merece alteração com urgência.

Entre as versões avaliadas, o Fiesta está bem à frente em segurança passiva, pois traz bolsas infláveis frontais, laterais dianteiras (de tórax), cortinas (para toda a área envidraçada lateral) e uma para os joelhos do motorista — parte do corpo sujeita a lesões por não ser protegida pela bolsa que sai do volante. Nos concorrentes há apenas as bolsas frontais, sem outra opção. Outra vantagem do Ford é vir com fixações para cadeiras infantis no banco traseiro, no padrão Latch norte-americano. Esse banco tem cintos de três pontos e encostos de cabeça para todos os passageiros no Fiesta e no City, mas faltam ao ocupante central no Cerato. Continua

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Os faróis do Fiesta e do Cerato são melhores, mas só esse último vem ainda com unidades de neblina e repetidores laterais das luzes de direção

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