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A criatividade aparece no quadro de instrumentos e na parte central do painel do Fiesta; como os demais, ele dispensou o termômetro do motor

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O interior do City nada tem que chame a atenção; o painel simples e de fácil leitura traz iluminação em laranja e computador apenas parcial

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De desenho discreto, o Cerato recebe toques esportivos como o tom vermelho ao redor do velocímetro e nas costuras de bancos e portas

A iluminação do City, em laranja, é preferível à branca dos demais; nesta versão do Cerato o painel está sempre aceso e há regulagem de intensidade de luz, o que elimina o problema apontado na versão intermediária — ao rodar de faróis acesos de dia, os mostradores digitais se tornavam ilegíveis. Nenhum satisfaz quanto ao controle elétrico dos vidros: a função um-toque está restrita ao vidro do motorista (apenas para descer no Cerato; também para subir nos outros modelos, que têm sensor antiesmagamento) e só o Kia vem com temporizador; nenhum permite abrir ou fechar vidros a distância.

Os sistemas de áudio do Fiesta e do Cerato (o City DX não tem) trazem toca-CDs, função MP3 e conexão auxiliar (também USB no Kia); a qualidade de som é excelente no coreano, com graves que impressionam, e mediana no mexicano. O do Ford poderia ser mais simples de operar, pois funções comuns como trocar de pasta de MP3 não são intuitivas e exigem aprendizado. Comandos no volante, como tem o Cerato, seriam bem-vindos nele. Interface Bluetooth para telefone celular não equipa nenhum modelo.

Detalhes que favorecem o Cerato são controle automático de temperatura do ar-condicionado, sensor de estacionamento na traseira, extensores nos para-sóis (ideais com sol pela lateral, quando o anteparo sozinho não costuma ser suficiente), faróis com acendimento automático, volante revestido em couro, porta-óculos no teto, o melhor arranjo de faróis (tudo se apaga ao desligar a ignição, mas as luzes de posição podem ser acesas novamente sem a chave), para-sóis com iluminação nos espelhos e luz vermelha ao redor do miolo de partida, que facilita ver onde inserir a chave.

No Fiesta destacam-se o para-brisa com isolamento acústico, bocal do tanque de combustível sem tampa (o bico da bomba abre diretamente uma válvula), comutador de faróis apenas de puxar e que nunca os acende já em facho alto (nos outros é do tipo puxa-empurra), luzes de leitura à frente e atrás (nos demais, só dianteiras), alerta individual para porta mal fechada (nos concorrentes há um aviso geral, sem informar qual delas) e destravamento da porta do motorista em separado quando comandado por fora. O City não sobressai em nenhum aspecto.

Fiesta e City têm aviso para atar cinto; Kia e Ford trazem indicador de temperatura externa e ajuste do intervalo entre varridas do limpador de para-brisa no modo temporizado; Cerato e City vêm com apoios de braço centrais à frente e atrás, contra nenhum no Fiesta. Em nenhum o alarme protege o interior com ultrassom; em todos há bolsa porta-revistas no encosto dianteiro direito, mas não no esquerdo.

Pontos que merecem correção: no Fiesta, a falta de alças de teto (os concorrentes têm três), de faixa degradê no para-brisa e de trava no acesso ao tanque; no City, a ausência de relógio (incrível em um carro desse preço), a posição escondida da tomada de 12 volts, uma caixa sem função na parte esquerda do painel, na qual se pode bater o joelho ao entrar e sair, e a alavanca que abre o porta-malas, ao lado do banco do motorista, possível de se confundir com uma regulagem; no Cerato, a luz interna sem temporizador ou apagamento gradual como nos outros, o plástico de dois dos raios do volante (fosco e fácil de riscar) e o travamento automático das portas — como só se dá por volta de 40 km/h, pode-se circular por bom tempo na cidade com o carro destravado sem perceber.

O Fiesta tem detalhes típicos de carros voltados ao mercado dos EUA, como sineta de aviso para chave no contato com porta aberta (também presente no City), que pode ser desativada, e um estranho comando de ar-condicionado, em que ligar e desligar o sistema se faz não pelo botão de velocidade do ventilador, como em qualquer carro, mas pelo seletor de direção do ar. Na tampa do porta-malas, um comando em tom fosforescente, para ser visto no escuro, permite sua abertura por uma pessoa que tenha sido trancada ali. E o sistema de áudio traz o botão Sirius referente ao rádio por satélite, função comum por lá e inativa aqui.

Largura e distância entre eixos de carro médio rendem dividendos ao Cerato em espaço: se na frente os três estão próximos, é dele a melhor acomodação no banco traseiro em todas as dimensões. O City o acompanha em espaço para pernas, que chega a surpreender, mas é estreito como o Fiesta (afinal, são carros pequenos no sentido transversal, apesar de encompridados) e a queda do teto prejudica a altura útil. Nesse aspecto o Ford é ainda pior e, como esperado de um carro que não ganhou entre-eixos nessa geração, as pernas ficam mais apertadas que nos demais.

Como os carros modernos estão perdendo mais espaço em áreas de absorção de impactos, como portas e colunas, é imperativo que aumentem por fora para ao menos manter o interior das gerações anteriores. Nenhum deles leva três pessoas com conforto, seja pelo espaço restrito, seja pela forma dos bancos que não recomenda aos passageiros laterais se sentarem mais para fora. Ao menos o Fiesta, pela ausência de apoio de braço central, oferece mais conforto a um eventual ocupante, que sofre com o encosto do Cerato e com assento e encosto no City. Exclusivo do último é o ajuste de inclinação do encosto traseiro, que pode ser feito em separado (a divisão é de 60% e 40%). Continua

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