
Focus: única suspensão traseira
multibraço e excelência em calibração

City: bom comportamento com
pneus mais estreitos, mas o rodar é duro

Cerato: privilégio ao
conforto em uma suspensão adequada à proposta

Sentra: estabilidade correta,
suspensão traseira que precisa ser revista

307: rodar e comportamento
muito bons, algo próximos aos do Focus |
Dos demais, o City é o único a ter cinco marchas,
essencial para contornar a falta de potência em baixa rotação do pequeno
motor. Se tivesse quatro como os outros, certamente seria desagradável
de dirigir, pois as trocas frequentes levariam a grande
intervalo entre as marchas — não é por outro motivo que Peugeot e Ford
evitam aplicar caixa automática a suas versões de 1,6 litro, que têm
potência e torque similares aos do 1,5 da Honda. Esse inconveniente
aparece no Cerato, apesar da boa disposição de seu motor em
baixa rotação. O funcionamento da caixa quanto a suavidade de mudanças e
resposta ao acelerador é impecável no Honda e bom nos demais, até mesmo
no 307. Se no passado a caixa da Peugeot-Citroën produzia trancos e
demorava a reagir a pedidos de redução, a nova programação eletrônica a deixou dentro da média nesses aspectos. Nem
incomoda mais a tendência a manter marchas baixas quando se deixa de
acelerar, medida para produzir freio-motor (e poupar os freios) antes excessiva.
Outra exclusividade do Honda — apenas nesta versão EXL — são os comandos
do tipo borboleta junto ao volante para trocas manuais de marcha, com
mudanças ascendentes pela do lado direito e reduções na da esquerda. As
borboletas atuam mesmo com a alavanca na posição D, mas nesse caso a
atuação volta a ser automática após alguns segundos. Em posição S entra
em ação o programa esportivo e, quando usados os comandos manuais, o
câmbio sai de vez do modo automático. Focus, Cerato e 307 permitem
trocas manuais na própria alavanca do console, por meio de um canal
lateral, sendo a disposição do Ford contrária à dos demais: sobe para
trás e reduz para frente, como propõe a BMW. Embora cause estranheza a
quem se habituou ao outro padrão, esse formato nos parece melhor ao
coincidir com os movimentos que o corpo faz por inércia ao acelerar ou
reduzir velocidade de maneira intensa.
Em modo manual, ao atingir a rotação máxima, Kia e Peugeot fazem a troca
automática para a marcha seguinte. Os outros dois (não existe modo
manual no Sentra) mantêm-se no limite de giros, mas o Focus faz a
mudança se o motorista usar o acelerador até o fim. Ótima ideia, pois
essa é sua reação natural em uma ultrapassagem apertada — e evita que se
fique limitado em velocidade, com o motor "cortando", ou se tenha de
tirar a mão do volante para fazer a troca no console. Ainda em manual,
307 e Focus reduzem marchas quando se usa todo o acelerador, mas
permitem retomadas com pedal bem aberto mesmo em baixa rotação; City e
Cerato não reduzem em nenhuma hipótese, o que pode deixar o carro sem
resposta rápida em uma emergência até que o motorista faça a redução
manual. No 307 há botões para modo esportivo (retém mais as marchas
baixas) e de baixa aderência (suaviza as arrancadas), enquanto nos
demais a atuação da caixa se ajusta ao modo de dirigir do motorista.
O
Focus sobressai em suspensão pelo uso de sistema independente multibraço
na traseira (saiba mais)
em vez do simples eixo de torção escolhido pelos demais. Além da
independência entre as rodas, notada em certas condições de piso
irregular, há a vantagem de obter posição ideal para elas nas mais
diversas condições, como curvas com o carro carregado, acelerando ou não
— razão para esse conceito ser praticamente unânime hoje em carros de
prestígio, embora ainda raro em modelos médios como esses. Essa
superioridade técnica, somada à primorosa calibração de molas e
amortecedores habitual na linha Ford e a uma excelente resposta de
direção, faz dele um dos modelos mais prazerosos de dirigir em um
percurso sinuoso em sua classe. De negativo, apenas ligeiro desconforto
em piso desnivelado, causado pela alta carga dos amortecedores (sente-se
o carro bem "amarrado" por eles, copiando as irregularidades), e a
aspereza acima do normal dos pneus em asfalto áspero.
Os demais ficam em relativo equilíbrio em comportamento dinâmico, com
vantagem para o 307. Os pneus do Sentra, embora com medida igual
à de Focus, Peugeot e Cerato (205/55 R 16), parecem
menos aderentes e o Kia mostrou-se inferior em precisão direcional em
velocidade. Em conforto de marcha é que o coreano agrada mais pela
absorção de irregularidades, seguido por Focus e 307 em equilíbrio. O
City é um tanto duro e o Sentra merecia recalibração da suspensão
traseira, hoje muito firme. Os cinco transpõem lombadas sem problemas e têm freios
bem dimensionados, que incluem sistema antitravamento (ABS) de série e
distribuição eletrônica de pressão entre os
eixos. O 307 vem ainda com assistência adicional
em frenagens de emergência, obtida por sistema mecânico e não eletrônico.
Continua
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