
Focus: instrumentos de fácil
leitura e um ótimo volante de quatro raios

City: painel simples e
computador de bordo com apenas duas funções

Cerato: mostradores com aspecto
esportivo, também sem termômetro

Sentra: leitura mais fácil dos
indicadores digitais com as novas cores

307: fundo claro que escurece à
noite e painel com mais informações |
Sentra e Cerato poderiam ter ajuste do volante em distância, como os
outros, mas não chega a fazer falta para pessoas de biótipo mais comum;
já a regulagem de altura do volante e do banco (esta última com comando
elétrico no Focus) equipa os cinco. Ajuste do apoio lombar vem apenas no
Ford, também único no volante de quatro raios, que preferimos. Sentra e Cerato
usam reclinação do encosto por alavanca em vez de botão giratório, o que
é prático em grandes movimentos, mas impede o ajuste milimétrico. Os
painéis são bem projetados e permitem fácil leitura, com iluminação que
só não é permanente no 307 — uma clara tendência do mercado, embora
traga a desvantagem de não evidenciar a motoristas desatentos que as
luzes externas estão apagadas no início da noite. A luz é branca no Kia,
no Nissan e no Ford e laranja no Peugeot e no Honda.
Cerato e City
dispensam termômetro do motor, desnecessário hoje em dia, pois a luz de
alerta se acende ao mesmo tempo em que o ponteiro se moveria (não existe
mais a variação gradual que permitia se antecipar). O primeiro ainda
traz luz-piloto para motor frio, boa medida para lembrar o condutor de
dirigir com moderação nessa fase. No Sentra os mostradores digitais de
combustível e temperatura ganharam dígitos em laranja sobre fundo preto,
bem melhores que os anteriores (preto sobre amarelo), que traziam
dificuldade de leitura quando se usavam óculos escuros em dias
ensolarados. Aqui faltou atenção da Kia: com faróis acesos todos os
mostradores digitais (rádio, ar-condicionado, até mesmo a indicação de
marcha) ficam fracos e não há como aumentar sua intensidade, o que
compromete a leitura durante o dia. É preciso apagar as luzes para
lê-los.
Há computador de bordo nos cinco, mas bem limitado no City: mostra
apenas autonomia e consumo médio. O do 307 se destaca, pois chega a
indicar a distância que falta até o fim do trajeto inserido. A indicação de consumo do Cerato
deveria vir em km/l como nos demais; a do Sentra foi "convertida" para
esse padrão brasileiro no modelo 2010. Também no Nissan o mostrador
mudou da parte central do painel para o quadro de instrumentos, mas
selecionar a função pelo botão de zerar o hodômetro não é boa ideia:
seria melhor por uma das alavancas junto ao volante. Ar-condicionado com
controle automático de temperatura só não equipa o Sentra —
incompreensível, já que vem no Tiida, mais barato. No
Focus e no 307 podem-se escolher ajustes diferentes para motorista e
passageiro ao lado; o segundo traz ainda extensão de ar frio ao porta-luvas, útil para
manter chocolates inteiros e bebidas frescas.
Controlador de velocidade está em todos,
exceto o Kia.
O controle elétrico dos vidros — que usa comandos nas
portas em todos eles — é completo apenas no 307, com
função um-toque e
proteção antiesmagamento em todos e
temporizador; o do Focus tem as mesmas
funções, mas o "departamento de depenação" tirou o temporizador no
modelo 2010, algo inaceitável nessa faixa de preço. Nos demais o um-toque está
restrito ao vidro do motorista (só para descida no Cerato) e no City
falta temporizador. O Ford permite
abrir e fechar vidros e teto solar pelo controle remoto (seria melhor o
teto não se abrir, pois aumenta a incidência de sol no interior quando
se chega ao carro e se quer justamente reduzir o calor interno) e o 307
apenas fechá-los.
Se todos trazem rádio/toca-CDs capaz de ler
MP3 com comandos no volante ou junto dele, em qualidade de áudio
destacam-se Sentra (que traz ainda um amplo painel colorido de ótimo
efeito visual), Focus e City, ficando os demais em patamar apenas
mediano. No
Honda é estranho a fenda de inserção do CD estar atrás de uma tampa,
explicado pelo pouco uso de discos em alguns mercados do modelo, onde a
conexão de aparelhos auxiliares é bastante comum. Ainda, os aparelhos de
City, Sentra e Cerato deveriam funcionar sem a chave estar ligada em
posição de acessórios. O Focus e o 307 são os únicos com
interface Bluetooth para telefone
celular, mas no grupo apenas o Peugeot não tem conexão USB nem entrada auxiliar para MP3
portátil.
O Ford é o único dotado de comando de voz para telefone celular,
ar-condicionado e sistema de áudio: aperta-se a tecla Voice próxima ao
volante e pronuncia-se uma sequência (como "climatização, 22 graus" ou
"sintonizar 99,9", por exemplo) para que a função seja colocada em
prática. Isso já existia no modelo 2009, mas a programação em português
lusitano levava em muitos casos à má compreensão da ordem pelo sistema,
que agora fala e "ouve" em português brasileiro. Nele e no Sentra SL, a
partida/parada do motor não requer uso de chave — o chaveiro eletrônico
sem serrilha só precisa estar no interior do carro —, mas a Ford optou
por botão no console e a Nissan por uma moldura no miolo tradicional,
que é girada como se faria com a própria chave. Conveniência adicional
do Sentra é que as portas e a tampa do porta-malas se destravam quando o
usuário aciona a maçaneta externa (mantendo consigo a chave eletrônica)
e se trancam assim que ele se afasta do carro. Quem preferir pode
acionar o travamento pelo controle remoto, que os cinco modelos
oferecem. Já alarme com proteção interna por ultrassom vem só no Focus.
Continua
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