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A C3 Picasso ganhou no Brasil um
painel como o do novo C3 francês, com fácil leitura e bom aspecto, em
vez do digital em posição central


O painel da Idea remete ao usado
desde 2004 no Palio; vantagem sobre o da C3 é seu computador de bordo
com mais funções e dupla medição


A reforma interna em 2010 deixou
a SpaceFox bem mais agradável que a antiga, mas não há vantagem em
acabamento sobre as concorrentes |
Também são exclusivos
da C3 Picasso o controle automático para o ar-condicionado e sua
extensão para o porta-luvas. Os três são relativamente eficientes, mas o
da Idea — ainda que com maior vazão desde o modelo 2011 — não consegue
bom resfriamento da cabine por causa dos difusores de ar muito baixos no
painel, problema que se arrasta no Palio desde 1996 e se estendeu à
minivan. Nesse ponto a C3 é exemplar com os cinco difusores bem
posicionados. Todas elas podem vir com
sensor de estacionamento na traseira, faróis e limpador de
para-brisa automáticos e indicador de temperatura externa, mas na
Picasso tal informação aparece no mostrador do rádio, muito baixo.
Os sistemas de áudio contam com rádio/toca-CDs e leitura de MP3. A
qualidade é superior na C3 Picasso, com destaque à sensação de palco (o
som parece vir da frente e do alto, como diante de um espetáculo), e na
Idea, embora seu alto-falante de subgraves
em caixa no porta-malas provoque distorção com facilidade. Conexões USB
e para cartão de memória SD equipam a SpaceFox; nas demais há USB e para
Ipod; e as três oferecem interface Bluetooth
para telefone celular. VW e Citroën têm comandos de áudio no volante,
mas o da segunda deveria ser revisto: é comum se apertar o botão
source (que comuta entre rádio e CD, por exemplo) sem querer ao usar
a chave de ignição.
Os controles elétricos de vidros têm função
um-toque e sensor antiesmagamento
para todos na Idea, para os dianteiros na SpaceFox e só para o motorista
na C3 Picasso, que já passou pelo "departamento de depenação" — na
Aircross avaliada
no ano passado a função atendia a ambos os dianteiros.
Temporizador equipa as três, assim como
alarme com controle remoto e proteção interna por ultrassom. A quinta
porta tem controle elétrico de abertura na Idea e destrava-se com as
demais (o que é preferível) nas outras. Na VW e na Fiat os vidros podem
ser abertos e fechados a a distância, muito conveniente.
Bons detalhes da C3 Picasso são controlador
e limitador de velocidade (as outras ao menos têm alerta programável
para excesso), comutador de farol alto/baixo do tipo que só se puxa,
alerta para o motorista atar o cinto (poderia ser menos estridente) e
espelho convexo junto ao teto para
monitorar crianças no banco traseiro (como na Idea). SpaceFox e C3
Picasso têm volante revestido em couro, mesas do tipo avião nos encostos
da frente, acendedor de cigarros e porta-garrafas nas portas dianteiras.
Apenas na Idea há retrovisor interno
fotocrômico (opcional), aviso específico para porta aberta ou mal
fechada (geral na C3, nenhum na SpaceFox) e opção de teto solar, com
parte dianteira móvel e traseira fixa. E a SpaceFox traz retrovisor
direito que aponta para o meio-fio quando se engata a marcha à ré, luzes
de leitura separadas na traseira, iluminação nos espelhos dos para-sóis
e tomada de 12 volts no compartimento de bagagem.
Alguns pontos merecem correção. Na Idea o espaço para objetos é muito
limitado; os para-sóis fazem um alto barulho quando são fechados, pois
batem em uma prateleira plástica; e a tomada de 12 volts, muito recuada
no console central, torna inconveniente conectar um navegador ou outro
item que deva ficar acima do painel. Na C3 Picasso o cinzeiro fica muito
baixo no console, o bocal do tanque de combustível requer uso de chave e
o pomo metálico da alavanca de câmbio não é ideal, pois gela em dias
frios.
Na SpaceFox falta a faixa degradê no para-brisa, o vidro do quadro de
instrumentos reflete o sol de meio-dia e, ainda no painel, são quase
invisíveis as luzes que indicam ar-condicionado e recirculação ativos.
Ainda, o limpador de para-brisa é imperfeito nas três: VW e Fiat deixam
o braço direito bem diante do motorista no fim de seu curso; Citroën
fica sem limpar uma grande área no lado do passageiro. Ambos os
problemas seriam resolvidos com braços em sentidos opostos, usados em
outras minivans e até automóveis com vidros grandes.
Se o assunto é espaço, Idea e C3 Picasso mostram-se as melhores em altura.
Atrás a Fiat destaca-se em espaço para pernas, embora a VW
possa ganhar muito nesse quesito com o recuo do banco, que possui o
único ajuste longitudinal no grupo (a Citroën oferece tal recurso apenas
na versão europeia, uma "depenação" lamentável). Contudo, as três são
estreitas demais para acomodar bem três adultos, limitação inerente aos projetos
baseados em carros pequenos. Um passageiro central obtém mais conforto
na Idea e sofre mais com o encosto rígido na SpaceFox.
A VW leva vantagem na capacidade de bagagem, resultado de seu maior
comprimento: varia de 430 a 527 litros conforme a posição do banco (480
litros em média), contra 403 da Citroën e 380 da Fiat. Contudo, ao
ganhar o terceiro encosto de cabeça traseiro, a SpaceFox deixou de oferecer banco bipartido,
que usava a repartição 50:50. O item pode fazer falta nesse tipo de
carro, pois deixa de ser possível transportar uma carga mais longa e um
passageiro atrás. Nas demais é usada a divisão 60:40, que inclui o
assento.
Caberia correção na C3 Picasso da maçaneta da tampa: fica muito alta e
não há vão para encaixar os dedos na parte inferior, o que deixa o
levantamento pesado. Nas três há um inconveniente, a base de acesso mais alta que o
assoalho, quando o ideal seria estar nivelada. Os estepes usam roda de
aço, mas com pneu igual aos outros, e ficam abaixo do assoalho interno.
Continua
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