


O Focus ganhou em desempenho
com o motor Flex, 10 cv mais potente, e permanece muito estável, mas a
suspensão traseira prejudica o conforto de rodagem



Se o desempenho do Golf é
inferior, a suspensão está muito bem acertada: o rodar é mais macio e,
com pneus 205/55-16, o comportamento dinâmico é dos melhores |
São
dois propulsores agradáveis de explorar, com ruído e vibrações moderadas
mesmo em alta rotação, sobretudo o do Focus — que melhorou na versão
flexível, em um bom trabalho do fabricante. Com pesos equivalentes (só
20 kg a mais no Golf), o que deixa o Focus em vantagem na relação
peso-potência, diferenciam-se no escalonamento de câmbio: a Ford usa
todas as marchas mais longas e a VW, como de hábito, um câmbio mais
curto, que "enche" a quinta em velocidade máxima.
Isso os torna diferentes no dia-a-dia: no Focus é possível alcançar
maior velocidade em cada marcha, não raro dispensando a quinta em todo o
uso urbano, e a moderada rotação em viagem reduz o consumo e o nível de
ruído. É uma das grandes qualidades do carro e satisfaz perceber que a
Ford a manteve até hoje, apesar da sempre alegada "preferência
brasileira" por caixas curtas.
Com maiores potência e torque, o Focus acelerou mais rápido e atingiu
maior velocidade máxima em nossa simulação, embora tenha havido
equilíbrio nas retomadas. O Golf também foi inferior em todas as
condições de consumo
(veja os resultados e a análise detalhada).
O câmbio do Focus tem engates macios e precisos, mas não tanto quanto o
do Golf, uma das referências nacionais nesse quesito. A vantagem do Ford
está na ré, tão fácil de usar como se fosse uma sexta marcha, enquanto o
VW requer apertar a alavanca para baixo (medida necessária neste caso
por sua posição junto à primeira, ao contrário da linha Gol, que teve
essa trava retirada). Ambos usam assistência hidráulica de direção com
bons resultados: são leves em manobras e precisas em velocidade. Mas o
Golf vem com freios a disco também na traseira e ABS opcional, não disponíveis no Focus 1,6.
O VW está em muito bom estágio de calibração de suspensão, com rodar
confortável e estabilidade das melhores, no que contribuem os ótimos pneus 205/55-16
da Bridgestone. O Ford usa um Firestone de aderência modesta e áspero ao
rodar, em medida 195/60-15. Embora o Focus agrade pelo comportamento, mérito da suspensão traseira
multibraço, a empresa americana faria bem em devolver o estabilizador traseiro, que equipa a versão 2,0 (e
vinha na extinta
1,8), pois permite molas mais macias e aumenta o conforto. Com molas e
amortecedores firmes, o Focus tornou-se algo desagradável em pisos
irregulares.
Há equilíbrio em termos de iluminação, pois os faróis de ambos têm
duplo refletor de
superfície complexa e há lanterna
traseira de neblina, repetidoras laterais das luzes de direção (agora
montadas nos retrovisores do Golf) e terceira luz de freio. O VW
adiciona faróis de neblina e um excelente retrovisor esquerdo
biconvexo, embora o convexo e amplo do
Ford seja também muito bom. O Golf abandonou o espelho direito menor que
o esquerdo, uma boa medida. Nos dois carros notam-se as colunas
dianteiras mais verticais e estreitas que em alguns projetos mais novos,
em favor da visibilidade.
Bolsas infláveis são escassas em ambos: apenas as frontais e como
opcional. Já era tempo de virem de série neste segmento e de haver opção
pelas laterais. Também faltam, nos dois carros, cinto de três pontos e
encosto de cabeça para o passageiro central do banco traseiro.
Continua
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