


Vectra: a suspensão firme e
as rodas de 17 pol com pneus 215/45 sacrificam o conforto, mas há farta
iluminação e o câmbio inclui controle de ponto-morto



Accord: perfeita calibração de
suspensão e pneus 205/60 deixam o rodar macio; o câmbio automático tem
cinco marchas, mas faltam os faróis de neblina |
E há um inconveniente no
Vectra:
a autonomia do absurdo tanque de 52
litros. Se já seria pequeno para o
uso de gasolina, imagine-se com álcool e todo o apetite que ele tem. É
um aspecto que a GM precisa rever com urgência. No Honda vão 65 litros,
bem adequados diante de seu consumo contido.
Um
bom recurso do Accord é o câmbio automático de cinco marchas, com a
última delas bem longa, a ponto de produzir apenas 2.500 rpm ao rodar a
120 km/h. O resultado é boa redução de consumo e ruído nessas condições.
É verdade que, sem um grande motor, a caixa tende a reduzir para quarta
em qualquer aclive da rodovia, mas o faz com suavidade, para o que
contribui o menor intervalo entre suas relações (saiba
mais). Um inconveniente, talvez associado ao mercado-alvo
(americano), é que a caixa reduz marchas com muita facilidade, impedindo
o uso com acelerador mais aberto, que traria economia. De resto, porém, a eficácia desse câmbio em "aprender" como o
motorista dirige torna dispensáveis os comandos de modo esportivo e de
inverno (aqui útil em lama ou grama molhada) do Vectra, mas este conta
com o interessante controle de ponto-morto.
A GM retrocedeu em tecnologia na suspensão traseira (saiba
mais). Se o resultado prático em comportamento dinâmico não
decepciona, o rodar deveria ser mais confortável. Notam-se a firmeza das
molas e a transmissão de impactos bem conhecidas do Astra que lhe serviu
de base, acentuadas pelo baixo perfil dos pneus 215/45-17. Essa medida opcional deve ser
escolhida com critério: embora resulte em excelente aderência sobre
asfalto perfeito, prejudica o conforto e até a estabilidade em piso
irregular, tão comum no Brasil, além de ser vulnerável a danos
(inclusive às belíssimas rodas) em buracos. Para muitos proprietários,
ficar com os 205/55-16 de série pode ser mais recomendável.
O Honda usa pneus 205/60-16 e molas mais macias, que absorvem bem as
irregularidades e podem dar a sensação inicial de "barca" americana, até
que se toma uma curva com vigor e se constata o benefício da carga
elevada dos amortecedores. Sem a firmeza do concorrente — que tem seus
adeptos —, é um carro muito bem resolvido nesse aspecto. Essa agradável
surpresa não é novidade no modelo, que em gerações passadas já
demonstrava melhor comportamento do que sua maciez fazia supor. Investir
em suspensões modernas tem suas vantagens, ouviu, GM?
O Vectra também é mais firme na calibração da direção, que
chega a ser pesada em baixa velocidade. A do Accord é suave em baixa,
como aprecia seu público-alvo mais conservador, e mantém-se segura em
alta velocidade. Quanto aos freios, grande eficiência nos dois carros,
com potentes discos, sistema antitravamento (ABS) e
distribuição eletrônica entre os eixos (EBD).
O Elite perdeu o controle de tração da geração anterior, que não faz
falta, sobretudo com câmbio automático.
Ambos possuem ótimos faróis com duplo
refletor de superfície complexa,
repetidores laterais das luzes de direção e terceira luz de freio, mas o
Vectra adiciona faróis de neblina e a luz traseira para o mesmo fim,
ajuste elétrico do facho dos faróis, retrovisor esquerdo
convexo e espelho interno
fotocrômico. O retrovisor direito do
Accord traz uma advertência sobre a lente
convexa, um anacronismo da legislação americana. Aliás, é pela
proibição nos EUA que ele vem sem essa lente no lado esquerdo, que seria
bem mais segura nas mudanças de faixa e acessos a vias. De resto, a
visibilidade é equivalente nos carros, com algum prejuízo pelas colunas
dianteiras avançadas.
O Elite vem de série com bolsas infláveis frontais e laterais, cinto de
três pontos e encostos de cabeça para os cinco ocupantes, um bom pacote
de segurança passiva. Ao Accord faltam
as bolsas laterais e o quinto apoio de cabeça.
Continua
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