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Os 2,4 litros rendem maior torque ao motor do Vectra (no alto), mas o do Accord é muito superior em tecnologia e tem funcionamento mais silencioso

Mecânica, comportamento
e segurança

Ao mesmo tempo em que o Vectra alcança a cilindrada de 2,4 litros, o Accord a abandona em favor dos 2,0 litros e sua menor tributação. Seria de se esperar uma desvantagem em potência para o Honda, mas não é o que acontece: com o eficiente comando de válvulas variável i-VTEC, o motor japonês desenvolve os mesmos 150 cv do nacional (com álcool, 146 com gasolina). A grande diferença aparece em torque: 19 m.kgf ante 23,7 do Vectra com etanol e 23,1 com gasolina.

Os dois são suaves e silenciosos no uso normal, mas o da GM emite um ruído desagradável em rotação bem alta, perto de 6.000 rpm, embora tenha árvores de balanceamento para conter as vibrações. E, apesar do elevado peso dos carros, atendem bem à proposta de uso. O Honda chega a surpreender quem esperava lentidão, pois "empurra" bem seus 1.440 kg, sem demonstrar esforço, e assume um ronco que entusiasma quando o comando entra na fase mais "brava", em alta rotação. No Vectra falta um pouco do brilho que se esperaria de uma versão com cilindrada 20% maior que a do Elegance. Seria bem diferente se a empresa optasse por maior taxa de compressão, o que o levaria à faixa dos 160-165 cv (saiba mais sobre técnica no boxe abaixo).

A simulação de desempenho do Best Cars apontou ligeira vantagem para o Vectra, mais percebida nas acelerações, como 0 a 100 km/h em 11,7 segundos (com álcool) contra 13,2 s do Accord. Ambos, porém, mostram atender bem às necessidades de seu público-alvo. Já em consumo o Elite assustou ao usar álcool: 4,9 km/l em cidade e 7,8 km/l em rodovia são números ruins para um carro moderno, clara indicação de que o motor não está eficiente com esse combustível. Ao passar à gasolina a situação melhora, mas ainda fica muito aquém das ótimas marcas obtidas pelo Accord (veja a tabela completa). Continua

Comentário técnico
> Inédito no Brasil, o motor de 2,4 litros e 16 válvulas da GM é mais um membro da chamada Família II, que começou com o 1,6 do Monza e teve versões de 1,8, 2,0 e 2,2 litros — só a 2,0 ainda em uso, pois o 1,8 do Corsa é de outra linha, a Família I. Com exceção do cabeçote, o 2,4 é similar ao usado desde 2000 no S10 e no Blazer, portanto um motor de utilitários. Disso resulta a infeliz relação r/l de 0,337, resultado do enorme curso dos pistões (100 mm) com bielas não tão longas (148 mm). O efeito seria um funcionamento muito áspero, não fosse a adoção de árvores de balanceamento, que não equipa aqueles utilitários. Embora o recurso torne o motor suave, permanece o efeito nocivo da má r/l sobre a eficiência do motor.

> Nota-se também no 2,4 a taxa de compressão de 10,1:1, baixa demais para uso de álcool, na contramão do que a empresa vinha fazendo, como no motor de 2,0 litros, que usa 11,3:1. Consta que não se pretendia fazê-lo flexível em combustível, decisão tomada em fase já adiantada. Mas também se imagina que, por exportar o 2,4 16V a gasolina para o México (no Astra), a GM tenha evitado alterações que só pudessem ser aplicadas à parcela da produção destinada ao mercado interno.

> O comando de válvulas variável do Accord, denominado i-VTEC, representa um avanço em relação ao VTEC conhecido de nosso Civic LXL e EX (a geração lançada em 2000, não a que está chegando). Além de aplicado a um comando duplo, o novo sistema permite um controle contínuo do tempo de abertura das válvulas de admissão, sem os estágios definidos do VTEC anterior. Um dos benefícios é a passagem ao "comando bravo" poder se dar em rotação mais baixa, no caso de maior abertura do acelerador,ou mais alta
se a abertura for pequena. O motor possui ainda coletor de admissão com geometria variável. Tudo isso resulta em ótima distribuição do torque pela faixa operacional, embora (infelizmente) não sejam divulgados valores em regimes intermediários.

> A Honda adotou nesta geração o câmbio automático de cinco marchas, que tem duas vantagens. Uma, permite o uso de uma quinta bem longa, para baixar as rotações do motor em viagem, com benefício ao ruído e ao consumo. Outra, diminui o intervalo entre as relações, o que melhora o aproveitamento do motor em acelerações e torna mais suaves as reduções. Curiosamente, a alavanca de câmbio não demonstra as cinco marchas: traz apenas as posições D, D3, 2 e 1, sendo que a D3 deixa de fora a quarta e a quinta. Não há, portanto, como isolar apenas a última marcha pela seleção de posições.

> A favor da caixa do Vectra, dois fatores: o controle de ponto-morto e a quarta (última) marcha direta, ou seja, com relação 1:1. A vantagem é a transmissão de movimento não depender de engrenagens, o que resulta em ausência de ruído e de perdas mecânicas. No Accord, por exemplo, nenhuma das marchas tem esse atributo.

> Ao se basear na plataforma do Astra, o Vectra de terceira geração abandonou o excelente conceito multibraço na suspensão traseira (agora extinto da produção brasileira, exceto no EcoSport 4WD) em favor do simples eixo de torção. Perdeu também o subchassi traseiro, que ajudava no isolamento de vibrações. No Accord é usado um conceito dos melhores, com braços sobrepostos em ambos os eixos (conheça os tipos de suspensão).

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