

Civic: motor 1,8 potente (140
cv) e eficiente e comando de câmbio que é uma referência em maciez e
precisão


Mégane: bom motor 1,6
flexível, com destaque para o baixo ruído, e câmbio bem acima do padrão
da marca


Pneus de mesma medida, comportamentos
distintos: se o Honda é mais estável, o Renault roda mais macio |
Embora seja um dos mais
pesados da categoria (1.285 kg ante 1.230 do Civic), o Mégane mostra
agilidade adequada a um carro familiar sem proposta esportiva. O
silêncio de operação ajuda nessa sensação, pois o motorista pode
explorar sua potência sem que o motor pareça estar sendo forçado. Mas o Civic só
poderia vencer por boa margem em desempenho. De fato, a simulação do
Best Cars apontou vantagem expressiva em aceleração e velocidade
máxima. Já nas retomadas o Mégane deu o troco, graças às relações de
marcha bem mais curtas, que por outro lado trazem certo desconforto em
velocidades de viagem. O Honda é também mais econômico, no que o câmbio
longo auxilia (veja a simulação e a
análise detalhada).
O câmbio deste Renault foge totalmente ao padrão da
marca no Brasil: é leve e preciso, agradável de usar. Só que
aqui ele enfrenta uma referência nacional nesse quesito: a Honda, com um câmbio irrepreensível sob todos os aspectos. Trocar
marchas no Civic não é uma tarefa, mas um prazer. Uma
qualidade em comum é o engate da ré direto, ao lado da quarta, sem
travas redundantes. Outra evolução nesta
geração do Mégane é a direção com assistência elétrica, levíssima em
baixa velocidade e firme no ponto certo em alta. A do Civic, com sistema
hidráulico, é apenas correta em peso nas manobras, mas transmite
agradável precisão e é das mais rápidas do mercado.
Seu volante tem aro grosso de pequeno
diâmetro e apoio perfeito para os polegares.
Cada fabricante usa um conceito para a suspensão traseira, sendo a da
Honda mais elaborada (a Renault retrocedeu em tecnologia na
reformulação; saiba mais). Somada
à diferença de calibração, o resultado são comportamentos bem distintos.
O Civic é um sedã esportivo: firme e com estabilidade
impecável, ao preço de uma transmissão de irregularidades um pouco acima
do desejável em um carro familiar. Nele não dá para esquecer que os
pneus são largos e de perfil baixo (205/55-16), sensação acentuada com o Goodyear Excellence. O EXS que avaliamos, com Bridgestone Turanza ER300, era menos áspero ao rodar.
O curioso é que o Mégane Dynamique usa a mesma medida (com Michelin
Pilot Primacy de fabricação espanhola) e... surpresa: é bastante macio e
silencioso em qualquer tipo de piso, como se usasse conservadores pneus
de perfil alto. Seu comportamento é adequado para a proposta, com molas
macias e amortecedores que controlam bem as oscilações, mas algo não
saiu perfeito: ao cortar a aceleração em curvas velozes a traseira tende
a sair, comportamento que já ocorria na geração anterior. Embora o ideal
fosse eliminar essa tendência, não é algo que afete a segurança no uso
normal. A transposição de lombadas é adequada em ambos.
Os dois carros possuem ótimos freios a disco nas quatro rodas com
sistema antitravamento (ABS) e distribuição
eletrônica entre os eixos. Ainda em
segurança ativa, seus faróis com
duplo refletor de
superfície complexa são muito bons, mas só o Mégane possui
luzes dianteiras e traseira de neblina,
ajuste elétrico dos faróis e retrovisor esquerdo
biconvexo (é convexo no oponente).
Lamenta-se no Civic LXS a falta de repetidores laterais das luzes de
direção. A
visibilidade de ambos — mais a do Honda — é um pouco prejudicada pelas
colunas dianteiras avançadas.
Quanto à segurança passiva há equilíbrio: os dois trazem de série apenas
bolsas infláveis frontais, sem oferecer as laterais e de cortina que os
equipam em outros países. Ao menos o quinto ocupante tem cinto de três
pontos e encosto de cabeça como os demais, o que não acontece em alguns
concorrentes.
Continua
|