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O Civic chama atenção pela modernidade, com formas que saem do habitual e devem demorar a envelhecer

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O Mégane é sem dúvida elegante e contemporâneo, mas não consegue impressionar diante do adversário

Concepção e estilo

O novo Civic é a oitava geração de uma longa linhagem, iniciada em 1972 no Japão e que estreou por aqui 20 anos depois, ainda como importado (leia história). O novo modelo é muito recente, tendo sido lançado no ano passado nos mercados japonês (onde tem linhas um pouco diferentes) e americano e chegado em abril último ao Brasil, onde é fabricado em Sumaré, SP.

Com o Mégane é diferente: sucessor do modelo R19, surgiu na Europa em 1995 e chegou a nosso mercado dois anos depois, trazido da Argentina. A segunda geração era lançada já em 2002 pelos franceses, mas foi preciso esperar quatro anos — até março passado — pela versão sul-americana, agora produzida aqui mesmo em São José dos Pinhais, PR. A demora fez com que o modelo nacional nascesse já defasado, pois o europeu teve alterações na frente para 2006.

Se ambos transmitem modernidade, é inegável que o fazem de modos distintos. O Mégane é elegante e sóbrio, com uma combinação de curvas e arestas que parece agradar a todos, mas sem chamar muita atenção. Já o Civic, que aposta em formas mais ousadas e futuristas (com destaque para o pára-brisa enorme e bem inclinado), atrai os olhares por onde passa e desperta reações mais extremadas. Há quem o considere pouco harmonioso; a opinião mais freqüente que temos ouvido, porém, é muito favorável.

As dimensões externas são todas muito próximas: o Civic mede 14 mm a mais entre eixos, enquanto o Mégane o supera em 25 mm na largura, 10 mm na altura e apenas 9 mm no comprimento. A Honda informa um ótimo coeficiente aerodinâmico (Cx) 0,29, dos melhores da categoria. A Renault omite o seu, mas as formas permitem supor algo em torno de 0,32 e sua área frontal é também maior.

Conforto e conveniência

Assim como por fora, os dois modelos seguem estilos diferentes por dentro. O Civic impressiona com o painel em dois níveis, que coloca o velocímetro digital e os marcadores de combustível e temperatura (por barras) logo abaixo do pára-brisa, restando o conta-giros e outras funções no local habitual. Sua iluminação em branco e azul, além de charmosa, permite fácil leitura de dia e à noite. O volante esportivo e de pequeno diâmetro (36 cm) contribui para o estilo arrojado.

No Mégane, a ousadia resume-se ao sistema de cartão eletrônico e botão de partida (saiba mais), que substitui a chave tradicional, e ao comando do freio de estacionamento. Inspirado na manete de um avião, ele ocupa menos espaço que a alavanca convencional, mas requer um movimento do braço que não nos pareceu confortável — a do Civic, compacta e que se puxa para trás, é bem mais cômoda.

De resto, o desenho do painel (com iluminação dos instrumentos em agradável tom alaranjado) e do volante é sóbrio e de bom gosto, mas pouco expressivo diante do concorrente. Se os dois contam com revestimento dos bancos em tecido de ótimo padrão, o Civic reassume a vantagem com os materiais plásticos de aspecto bem superior. Os bancos de ambos são confortáveis e, com seus ajustes e os do volante, é fácil encontrar boa posição para dirigir — mas seria melhor que a reclinação do encosto fosse milimétrica por botão giratório. No Mégane o volante é algo enviesado, sem chegar a incomodar. Continua

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