O leão do deserto

Com desenho de Pininfarina e muitas vitórias nos ralis,
o 504 é um dos modelos mais célebres da Peugeot

Texto: Francis Castaings - Edição: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Os irmãos Peugeot começaram no século XIX trabalhando com uma fundição de aço para a produção de ferramentas de alta qualidade; produziam também moinhos de café. Em 1881 o neto dos fundadores, Armand, iniciou a produção de motocicletas na cidade de Beaulieu, na França. Começava a estudar motores a vapor.

Pouco depois encomendou um quadriciclo ao famoso projetista alemão Maybach, equipado com um motor construído por Panhard et Levassor. O primeiro veículo em série, a vapor, foi feito em 1890. A produção de bicicletas e motocicletas continuava e, graças às soluções mecânicas aplicadas a elas, o quadriciclo foi aperfeiçoado. Seu motor V2 tinha 2 cv de potência e chegava a 1.000 rpm.

O antecessor: de 1960 a 1975, o Peugeot 404 fez sucesso nas ruas e nos ralis, com 2,3 milhões de unidades vendidas

O sucesso da marca logo veio através do destaque obtido em competições, com o quadriciclo tipo 3, de 1891, que participou da prova Paris-Brest-Paris. Foram percorridos 2.045 Km em 139 horas a uma média de 14 km/h. Com este feito eram lançados comercialmente os veículos Peugeot equipados com motor Daimler. Em 1899 a marca já fabricava motores próprios -- e das competições não deixou mais de participar.

Na década de 60 o modelo 404 se destacava nos ralis da Europa e África, vencendo várias provas devido à robustez e confiabilidade. Suas linhas, apesar de bonitas e clássicas, já estavam envelhecidas. As opções de carroceria eram sedã de quatro portas, perua, cupê e, deste derivado, um belo conversível. Lançado em abril de 1960, o 404 foi fabricado até 1975 num total de 2,3 milhões de unidades.

Em outubro de 1968, no Salão de Paris, o sedã 504 era apresentado ao público. O quatro-portas de tamanho médio tinha a missão de superar o prestígio de seu antecessor, que era sucesso de público. Tradição na marca, foi desenhado pelo famoso estúdio italiano Pininfarina, de Turim. A cooperação com a marca francesa iniciou-se com o modelo 203 de 1948, passou pelo 403, 404 e 204 e se estende até os dias atuais.

Apresentado em 1968 na versão de 4 portas, o 504 tinha linhas modernas, tração traseira e motor 1,9 de 98 cv

Tinha linhas modernas e, na grade, o emblema do leão da marca. Ele é o símbolo heráldico do Franco-Condado, que se situa na região de Montbéliar, e foi adotado pela empresa já no século XIX. Os faróis eram poligonais, como olhos arregalados. Este estilo de farol tornou-se padrão da marca e, até hoje, os modelos são identificados por ele e pelo escudo do felino.

A traseira tinha uma queda abrupta que dividia opiniões, como no 204. Media 4,49 metros de comprimento e pesava 1.180 kg. Na versão L o motor a gasolina tinha 1,9 litro, 98 cv, carburador de duplo corpo e tração traseira, para velocidade máxima de 168 km/h. A alavanca do câmbio de quatro marchas ficava na coluna de direção.
Continua

No Brasil

O 504 era o preferido dos funcionários das embaixadas e consulados franceses no Rio de Janeiro e em Brasília na década de 70, tanto o sedã quanto a perua Break. Quando a empresa passou a importar seus automóveis, em 1993, começou a vender o picape 504 (foto).

Com motorização 2,3 a diesel de 70 cv e capacidade de carga surpreendente, 1.300 kg, durante algum tempo a traseira trouxe impresso "1,3 toneladas", depois corrigido para "1,3 tonelada", como manda o bom português.
Em outros países
O 504 fez e faz presença nos quatro cantos do mundo. Para o mercado americano foi exportado com imensos pára-choques e, como exigência de lá, no lugar dos faróis poligonais eram instalados quatro redondos. Na Austrália também fez sucesso -- há inclusive um clube de aficionados, o Peugeot Car Club of South Australia.

O sedã também foi fabricado na Argentina e na Bélgica, e o picape ainda é produzido na Nigéria. Na África foi exportado para o Congo, Líbia, Marrocos, África do Sul, etc. Até hoje, nesta região, tem ótimo valor de mercado. Conta-se que se alguém na Europa compra um usado em boas condições e o revende num desses países, paga fácil o valor do carro, as despesas de viagem e ainda sobra um troco. Bom negócio.

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