





Passageiros, furgão alto e
longo, furgão baixo e curto: as opções do Transit para competir em um
segmento de 23 mil unidades este ano |
A Ford lançou nesta quarta-feira, 10, a moderna família de furgões e
vans Transit. A empresa promete veículos com a melhor dotação de itens
de segurança e o maior torque do segmento, obtido pelo motor turbodiesel
Duratorq TDCI de 2,4 litros, único no mercado com câmbio de seis
marchas.
A nova família conta com itens de série como freios a disco nas quatro
rodas com sistema antitravamento (ABS), controle de tração,
controle eletrônico de estabilidade,
assistência em arrancadas em aclives e em
frenagem de emergência, além de bolsa inflável para o motorista. Os
veículos têm preços a partir de R$ 84 mil para a versão Furgão Curto com
capacidade de 7,5 m³ na área de carga, R$ 93.290 para o Furgão Longo com
capacidade de 11,3 m³ (capacidade de carga de 1.400 kg na primeira e
1.420 kg na segunda) e R$ 104 mil para o modelo de passageiros, que pode
transportar 13 pessoas mais o motorista.
A meta da Ford é conquistar 11% do segmento de vans e furgões, que este
ano deve fechar com cerca de 23 mil unidades no Brasil. Até então, Fiat
Ducato e Mercedes-Benz Sprinter vêm dividindo cerca de 80% da demanda,
que tem ainda opções como Renault Master e Peugeot Boxer. No Brasil a
Ford chega ao segmento das vans e furgões por último. Mas o mesmo
Transit que começa a ser vendido aqui em janeiro já é líder de vendas no
disputado mercado europeu. Desde seu lançamento em 1961, quando então
tinha a curiosa aparência de uma Kombi, o Transit já teve mais de cinco
milhões de unidades vendidas em cerca de 80 países.
O velho ditado "quem ri por último ri melhor" poderia ser aplicado aqui.
No mínimo uma geração à frente dos modelos concorrentes, o Transit
incorpora o que há de mais moderno no segmento. O motor a diesel de alta
rotação entrega potência de 115 cv a 3.500 rpm e torque de 31,5 m.kgf a
2.000 rpm — o maior da categoria, segundo a Ford —, com alta curva de
potência em baixas rotações.
Ao contrário de alguns concorrentes, ele tem tração traseira. A
suspensão dianteira independente do tipo McPherson é típica de
automóvel, enquanto na traseira vem um eixo rígido. Produzidas na
Turquia, todas as versões já vêm completas de fábrica — o único opcional
é o ar-condicionado nas versões furgão. Itens dignos de nota são duas
baterias (uma para partida do motor, outra para todos os demais recursos
elétricos), ar-condicionado, vidros/ travas/ retrovisores elétricos,
rádio/CD com controles junto ao volante e, na versão de passageiros,
cintos de segurança de três pontos para todos os ocupantes, outra
exclusividade na classe.
Gostoso de conduzir
Tanto nas versões para transporte de carga quanto na de passageiros, a
dirigibilidade é um dos grandes trunfos do modelo. O teste oferecido
pela Ford por ocasião do lançamento foi muito curto, mas o suficiente
para provar um pouco das qualidades do Transit. Bem posicionado ao
volante (que não oferece regulagens), o motorista tem ampla visão à
frente e para os lados através da generosa área envidraçada, e para
trás, pelos espelhos duplos que abrangem todos os ângulos.
A direção é pequena, leve e macia como as dos automóveis e oferece bom
ângulo de esterçamento. O nível de ruído interno é baixo e o câmbio
oferece engates fáceis e macios. O controle de saída em aclives é
eficiente tanto em saídas para frente quanto para trás. Funciona
integrado ao controle de estabilidade, para auxiliar o motorista nas
partidas em subidas, e impede que o veículo retorne para trás mesmo com
carga máxima. Ele é acionado de forma automática por três segundos
sempre que o Transit pára em um aclive com inclinação superior a 4%,
desde que esteja engrenado e sem o freio de estacionamento puxado. Nesse
intervalo, o motorista pode tirar o pé do pedal de freio e pisar no
acelerador sem que o carro se mova. Ele funciona da mesma maneira em
declives, quando a marcha à ré é engatada.
O período ao volante foi curto, num mini-circuito dentro da área do
Hotel Bourbon, em Atibaia, SP. Mas na volta para São Paulo, numa viagem
de pouco menos de 90 quilômetros e quase duas horas de duração, o teste
foi bem mais autêntico. Ao volante, um motorista profissional. Como
passageiros, 13 jornalistas especializados em veículos. Às 10h30, com
sol forte e muito calor, o primeiro inconveniente: o Transit de
passageiros conta com uma clarabóia de vidro na parte traseira do teto,
apresentada como saída de emergência. Há até um martelinho nas laterais
para ajudar a quebrar o vidro em caso de acidente. Lá, o "acidente" foi
não termos levado boné nem protetor solar... O sol derrama
impiedosamente seus raios através da clarabóia e cozinha os passageiros
das duas últimas fileiras de bancos. Ainda que o ar-condicionado tenha
saídas no teto também para a parte de trás, na marginal do Tietê
totalmente parada isso se tornou um grande problema.
A disposição dos bancos, com fácil acesso até as últimas fileiras, e o
corre-mão vertical, que realmente facilita o acesso, merecem destaque
positivo. Os negativos vão para a potência do ar-condicionado, a falta
de alças de apoio para os passageiros de trás e a clarabóia de segurança
que cozinha os passageiros. |