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Por baixo desse Focus já antigo esconde-se a pilha a combustível, uma proposta que ainda não foi viabilizada; veja no alto seus componentes

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O motor elétrico desenvolve 87 cv, mas a sensação ao dirigir é de que falta potência; com o tanque de hidrogênio (na traseira) ele roda 360 km

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No painel, um simples indicador aponta que o carro está pronto para ser dirigido; o abastecimento de hidrogênio vai exigir estações específicas

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No painel, um mostrador aponta o maior ou menor uso de energia e outro indica a carga das baterias. A alavanca de caixa automática tem as posições D, para direção normal, e L, em que aumenta o efeito de freio-motor. O grande problema dos elétricos ainda é o preço das baterias, que responde por elevado percentual do valor do carro. Além disso, muitos usuários não aceitam um veículo que precise passar horas conectado à tomada para poder ser usado novamente — eliminar essa inconveniência é um dos fatores que têm resultado no sucesso dos híbridos.

Só vapor d'água   À primeira vista, a não ser pela grade dianteira ampliada e a decoração nas laterais, parecia só mais um antigo Focus sedã de primeira geração. Mas a inscrição Hydrogen Fuel Cell Electric denunciava haver ali algo especial: a pilha a combustível, que usa hidrogênio para obter energia para alimentar um motor elétrico (saiba mais sobre essa técnica). Embora a Honda já tenha nos EUA um programa de leasing para o modelo FCX Clarity com tal tecnologia, ela ainda é considerada distante da viabilidade para tomar o lugar do motor a combustão.

Esse Focus tem o desenho do modelo fora de produção nos EUA porque se trata de membro de uma antiga frota de 30 carros. Depois de apresentar um protótipo em 2002, a Ford lançou um programa de testes em vias públicas, em 2005, em parceria com agências governamentais nos estados da Califórnia, da Flórida e de Michigan e também no Canadá, na Alemanha e na Islândia. Foram parceiras do projeto a Chrysler e a Ballard Power System, fabricante da pilha. Os resultados do programa, segundo a empresa, vêm sendo animadores em termos de confiabilidade do sistema.

Sob o capô aparece o motor elétrico, de potência equivalente a 87 cv. A pilha a combustível fica em uma seção inferior da cabine, junto de sistemas auxiliares que fornecem eletricidade ao conjunto. O tanque de hidrogênio com capacidade para 4 kg, suficiente para autonomia de 360 km, é montado no porta-malas, do qual restou um volume mínimo. As baterias são de NiMH, como nos atuais híbridos, e os freios contam com regeneração de energia. Quando a energia elétrica obtida do hidrogênio — função que cabe à pilha a combustível — é consumida pelo motor elétrico, o carro emite apenas calor e vapor d'água, sem nenhum poluente.

Praticamente igual por dentro a nossos antigos Focus, o protótipo traz no painel, em vez do conta-giros, um indicador com quatro posições: Off ou desligado, Shut-Down ou processo de desligar, Start-Up ou processo de partida e Run, que é o funcionamento normal. Ao ser ligado, girando a chave até determinada posição, passa a soar um alto zunido referente ao preparo do sistema, enquanto o ponteiro indica Start-Up. Alguns segundos depois o instrumento passa a Run, o zunido baixa de volume e o carro pode rodar. A alavanca de câmbio é similar à do Focus automático a gasolina.

Acelera-se e o Focus sai com agilidade apenas mediana, enquanto o estranho zunido permanece, vindo de trás do motorista. Pisa-se mais fundo e o efeito é mais sonoro — o zunido cresce — do que prático, pois o desempenho varia muito pouco. Mesmo nessa condição, porém, produz bem menos ruído que um carro normal com motor a combustão. Lembra — e é — um carro elétrico, tal e qual o outro Focus experimentado, só que com sensação de potência mais baixa ou de peso bem mais alto. Se gostaríamos de ter um carro assim? Seguramente não, mas é provável que seu comportamento melhore bastante nos próximos anos.

E, se não melhorar, ainda teremos a consciência limpa de sacrificar nosso prazer em dirigir em favor de um planeta mais verde. Terá valido a pena.

Assim não dá
No evento em Dearborn a Ford colocou outros carros para avaliação da imprensa: os Mustangs com novos motores V6 (foto) e V8, o sedã de luxo Taurus, a perua Flex e o picape F-250 Super Duty. Assim como ao experimentar os modelos "verdes" e o próprio Fiesta, seriam contatos rápidos para que, em algumas horas, o programa atendesse a cerca de 100 jornalistas.

Nesse caso, porém, a Ford exagerou. Foi apenas uma volta em um curtíssimo trajeto em um pátio plano, sem espaço para qualquer avaliação mais adequada. Segunda volta? Nem pensar. E o grupo teve de seguir para outra área antes que alguns pudessem dirigir os Mustangs, mais disputados. Nosso contato resumiu-se ao V6.

A restrição de local e de número de veículos não se justifica, sobretudo ao se considerar que o Mustang é barato nos EUA, vendido a partir de US$ 22 mil. Como fazer de conta que avaliamos carros não é conosco, o Best Cars optou por nada publicar sobre eles.

Que nos desculpe a Ford, mas assim não dá.
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