




Faróis mais eficientes, novos logotipos, mas nada de luxo: até o motor
do limpador traseiro fica aparente. O motor Fire de 55 cv tem torque
muito bom para seu baixo peso e consome pouco. Embaixo, o Fiorino Furgão
com a mesma frente, que vem assim -- em preto -- no Mille sem opcionais |
Essa proposta, claro,
inclui um despojamento que surpreende os habituados a carros mais caros:
não há hodômetro parcial, tomada de energia de 12 volts,
acionamento da luz interna pelas outras portas (só pela do motorista),
espelhos nos pára-sóis, acabamento na tampa traseira (o motor do
limpador do vidro fica exposto), ajuste de altura dos cintos ou uma
singela borrachinha na vareta de sustentação do capô, um desconforto ao
abri-lo com motor quente. O acabamento como um todo é muito simples, com
chapas expostas no interior, rebarbas nos plásticos e algumas peças mal
montadas, como a coifa da alavanca de câmbio.
Há também inconvenientes habituais do Mille que parecem eternos, como o
pesado mecanismo para rebater os bancos dianteiros na versão
três-portas, que exige o uso das duas mãos. Ou o ajuste dos encostos por
alavanca, em pontos definidos. Ou o rodar algo desconfortável e os
ruídos gerados pela arcaica suspensão traseira independente, a mesma do
147 — embora o Uno italiano sempre tenha usado eixo de torção, como no
Palio.
Em contrapartida, é fácil encontrar argumentos a favor, a começar pelo
espaço interno: alto e retilíneo, o Mille vence nesse aspecto vários
projetos mais recentes. Os bancos dianteiros sobem quando ajustados mais
à frente, bom recurso para motoristas de menor estatura, e a
visibilidade é excelente em qualquer direção — que diferença para os
modernos "carros-minivans", com suas colunas largas e inclinadas que
criam grandes pontos cegos. O estepe junto ao motor é prático de usar e
libera espaço para bagagem.
É um carro fácil e até agradável de dirigir. Com peso pouco acima de 800
kg, o mais baixo do mercado, e um motor que atinge o torque máximo de
8,5 m.kgf a baixas 2.500 rpm, sua agilidade impressiona bem e não é
preciso recorrer a relações de marcha muito curtas. Assim, rodando a 100
ou 120 km/h o nível de ruído não incomoda, apesar da escassez de
revestimento fonoabsorvente, notada pelos barulhos de rodagem que
invadem o interior. O câmbio tem engates corretos e dispensa travas
desnecessárias para o uso da ré, o que não acontece no Palio.
São apenas 55 cv, é verdade, mas que dão conta do recado muito bem.
Durante a avaliação, mesmo com o ar-condicionado a pleno vapor e três
pessoas no veículo, não faltou força para as situações normais de
tráfego, inclusive ultrapassagens. Os valores de desempenho declarados
(velocidade máxima de 151 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 15,2
segundos) estão bem inseridos no segmento e têm o apoio das ótimas
marcas de consumo, mesmo que as divulgadas não sejam atingidas na
prática.
Continua |