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Segundo a VW, o principal objetivo para a adoção do novo motor é o aumento da supremacia de 53% da Kombi nas vendas do segmento. Na verdade, porém, o fator decisivo para a mudança é que o valente boxer não teria como atender às novas restrições sobre as emissões de gases e de ruído estabelecidas pelo Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente), que entram em vigor no ano que vem.

Como se buscava manter a capacidade operacional com redução dos custos, a marca optou pela versão 1,4-litro do EA-111 e não pela conhecida 1,6. Além disso, o motor de 101/103 cv usado no Fox e no Polo exigiria maiores intervenções na estrutura. Mesmo com 200 cm³ a menos, o EA oferece uma eficiência térmica 25% (a álcool) e 30% (a gasolina) maior que a do boxer, o que resulta, na prática, em desempenho superior com menor consumo.

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Os passageiros continuam com pouco conforto,
mas vão aprovar o nível de ruído bem menor

De acordo com os dados de fábrica, as médias do 1,4 em km/l, são de 10,4 (G) e 7,1 (A), na cidade, contra 7,8 (G) e 5,8 (A), do 1,6 boxer; na estrada são 11,8 (G) e 8,6 (A), contra 9,0 (G) e 6,7 (A). Ou seja, uma redução média de 24% para o álcool e de 31% para a gasolina. Além disso, o fato de ser flexível dá ao consumidor o poder de optar pelo melhor custo por quilômetro na hora de abastecer.

Ágil e silenciosa   Em relação ao nível de ruído, a própria arquitetura do EA-111 contribui para redução, já que as galerias do líquido de arrefecimento abafam o som da combustão. Também conta o fato de o novo motor ter apenas uma chapa metálica defletora, contra toda aquela lataria que envolve os motores "a ar", e de que a ventoinha agora é elétrica e intermitente, no lugar da antiga, acionada diretamente por uma correia e uma das maiores fontes de ruído dos velhos boxer. Com isso, o ruído externo caiu de 78 para 75 dB e o interno teve redução de 4 a 5 dB, segundo a VW, o que resulta em maior conforto para os usuários.

Ao rodar com ambas as versões, carregadas com lastros que simulavam o peso de 12 passageiros, a diferença foi gritante. A Kombi "a ar" apresentou ruído interno bem elevado e, em uma rampa do circuito de avaliação, subiu em terceira marcha, atingindo os 80 km/h. O pedal de freio alto e a pouca estabilidade nas frenagens são as mesmas de sempre. Já com a versão 1,4 "a água", o ruído é bem menor e mais agradável. Na rampa, o utilitário passou dos 80 km/h e, no retão nivelado, ao final do percurso, atingiu pouco mais de 110 km/h, onde a versão 1,6 não chegara aos 100.

O alongamento do diferencial (de 5,143:1 para 4,875:1, o que eleva a velocidade por 1.000 rpm em quarta de 27,1 para 28,6 km/h) deixou o motor um pouco mais folgado: à velocidade máxima de 130 km/h correspondem 4.500 rpm, 300 rpm abaixo da rotação de potência máxima. Mas, como se trata de veículo que poucas vezes em sua vida útil rodará só com motorista, o alongamento é questionável. Se mantida a relação anterior, o motor estaria a 4.800 rpm em velocidade máxima, o que é correto e, de quebra, assegura mais agilidade nas retomadas. O motor "a ar" tinha potência máxima a apenas 4.200 rpm e, a gasolina, atingia 120 km/h com o motor "berrando" a 4.400 rpm; a álcool, 125 km/h com 4.600 rpm, ainda pior.

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Na traseira, o logotipo do motor flexível em combustível

Outra ressalva: a relação de direção, que baixou de 20:1 para 18,2:1 (9%), tornou-a mais rápida e portanto mais pesada. Se o segundo aspecto já era crítico na versão anterior, com veículo carregado, o leitor pode imaginar como ficou agora, em que o peso sobe 46 kg e há mais componentes justamente na dianteira (radiador etc.). Manter a relação anterior poderia ser a melhor opção, já que direção assistida é um requinte que a Kombi desconhece.

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Um alçapão no assoalho do compartimento de
bagagem facilita o acesso ao novo motor

A VW estima que, com todas essas mudanças, o custo do quilômetro rodado pela Kombi fique entre 30 e 35% mais baixo que o da versão 1,6 boxer. Isso porque, além da economia e da escolha de combustível, o novo motor também exige menos manutenção (menos regulagens, eliminação do distribuidor, velas mais duráveis), tem maior facilidade de acesso (diminuindo as horas de mão-de-obra) e maior intervalo entre as revisões — a primeira ocorre aos 7.500 km, a segunda aos 15.000 km e as outras a cada 10.000 km.

E esses argumentos, mais que quaisquer outros, falam alto a seu público-alvo, que vê no mais antigo "carro" nacional uma fiel ferramenta de trabalho.

Ficha técnica
MOTOR - traseiro, longitudinal, 4 cilindros em linha; comando no cabeçote, 2 válvulas por cilindro. Diâmetro e curso: 76,5 x 75,6 mm. Cilindrada: 1.390 cm3. Taxa de compressão: 11:1. Injeção multiponto seqüencial. Potência máxima: 78 cv (gas.) ou 80 cv (álc.) a 4.800 rpm. Torque máximo: 12,5 m.kgf (gas.) ou 12,7 m.kgf (álc.) a 3.500 rpm.
CÂMBIO - manual, 4 marchas; tração traseira.
FREIOS - dianteiros a disco; traseiros a tambor.
DIREÇÃO - sem assistência.
SUSPENSÃO - dianteira, independente, braços arrastados sobrepostos, estabilizador; traseira, independente, braço semi-arrastado.
RODAS - 5,5 x 14 pol; pneus, 185/80 R 14.
DIMENSÕES - comprimento, 4,505 m; largura, 1,72 m; altura, 2,04 m; entreeixos, 2,40 m; capacidade do tanque, 45 l; porta-malas, 806 l; capacidade de carga, 1.000 kg; peso, 1.297 kg.
Desempenho e consumo
  gasolina álcool
Velocidade máxima 130 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 16,6 s 16,1 s
Consumo em cidade 10,4 km/l 7,1 km/l
Consumo em estrada 11,8 km/l 8,6 km/l
Dados do fabricante

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