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A maior elasticidade, é óbvio, se faz sentir de imediato, o que tornou o dirigir bem agradável. Mas, como temos dito neste BCWS, em nome da flexibilidade em combustível sacrifica-se o desempenho do motor a álcool, que continua não otimizado para usar o combustível renovável. Em bom português, prossegue o “quebra-galho” tecnológico que deveria (e poderia) pertencer ao passado. Os números acima apenas confirmam isso.

Por falar em agradável, a escolha das relações de marchas e do diferencial do Mille, como na versão inflexível anterior, levou ao caráter 4+E do câmbio, que muitos apreciam. Em quarta o veículo atinge 148,5 km/h, o que significa que a 155 km/h de velocidade máxima declarada (mais 4 km/h que antes; 156 km/h com álcool) o motor está a 6.250 rpm, 250 antes do corte. Perfeito. À velocidade de viagem em auto-estrada, 120 km/h, o motor está girando a 4.100 rpm, adequado à baixa cilindrada, embora pudesse ser um pouco menos com uma quinta marcha pouco mais longa — que, com certeza, não comprometeria o desempenho. Se fosse 3.800 rpm o aplauso seria de pé.

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O Mille ganhou mais com a mudança, pois usava o
motor de 55 cv; agora são 65 -- ou um a mais com álcool

Dois refinamentos no gerenciamento eletrônico notados e apreciados foram o corte de injeção, suave mas suficiente para o motorista perceber que deve passar para marcha superior, e a “volta” do motor sem trancos quando a rotação chega a um nível bem baixo em condição de freio-motor. Com o motor inflexível a aceleração 0-100 km/h era feita em 15,2 segundos. Agora baixou para 14,5 e 14,2 s (gasolina e álcool, na ordem), um ganho considerável se for considerado o acréscimo de peso de 5 kg.

Enquanto a aceleração melhorou, o consumo se manteve inalterado quando se trata de gasolina — mais uma vez estranho, dada a maior taxa de compressão que é benéfica ao consumo. Como nos demais números, trata-se de informação de fábrica: 14,3 km/l em cidade e 20,0 km/l em estrada. Com álcool, 10,1 km/l em uso urbano e 14,2 km/l em utilização rodoviária. O rendimento energético com álcool está dentro do parâmetro normal, que é de 70% daquele da gasolina brasileira (com 25% de álcool).

Palio e Siena   Mais pesados, os outros dois flexíveis 1,0-litro ora lançados carecem do mesmo brilho do Mille (ver desempenhos e consumos no quadro abaixo). Vem daí a necessidade de compensar o maior peso com encurtamento da terceira, quarta e quinta marchas e do diferencial, mas nada que atrapalhe tanto, como foi possível comprovar numa breve avaliação. Afinal, o comprador de carro 1,0 busca menor preço.

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Novidade em todos: o termômetro d'água no painel

E, como foi dito numa palestra da Magneti Marelli no dia da apresentação, esses motores de baixa cilindrada são os que emitem menos dióxido de carbono (CO2), o gás que está levando ao aquecimento da Terra. Cuidar do meio ambiente é reconfortante para muitos.

Os dois modelos receberam as mesmas modificações do Mille — retrovisores, termômetro d'água e hodômetro parcial —, bem como apoios de cabeça mais anatômicos e o adesivo indicativo na traseira. Seu lançamento foi mais um passo audacioso da Fiat, como é seu conhecido jeito de fazer as coisas, e que deverá reverter a curva descendente de participação de carros 1,0 no mercado. Hoje são 53,9%, conforme os resultados de fevereiro divulgados pela associação dos fabricantes, a Anfavea.

A audácia só precisava ser contida nos (muito) divertidos comerciais de TV que serão exibidos nos próximos dias, cuja tônica “Tanto faz”, em alusão aos carros poderem ser abastecidos tanto com gasolina quanto com álcool, não é totalmente correta: depende da diferença de preço entre um combustível e o outro e o quanto se precise de autonomia.

Ficha técnica
MOTOR - transversal, 4 cilindros em linha; comando no cabeçote, 2 válvulas por cilindro. Diâmetro e curso: 70 x 64,9 mm. Cilindrada: 999,1 cm3. Taxa de compressão: 11,65:1. Injeção multiponto. Potência máxima: 65 cv (gasolina) ou 66 cv (álcool) a 6.000 rpm. Torque máximo: 9,1 m.kgf (gas.) ou 9,2 m.kgf (álc.) a 2.500 rpm.
CÂMBIO - manual, 5 marchas; tração dianteira.
FREIOS - dianteiros a disco (ventilado no Palio e Siena); traseiros a tambor; antitravamento, opcional no Palio e Siena.
DIREÇÃO - de pinhão e cremalheira; diâmetro de giro, 10 m (Mille) e 9,8 m (Palio e Siena).
SUSPENSÃO - dianteira, independente, McPherson, estabilizador; traseira, independente, McPherson (Mille), eixo de torção (Palio e Siena).
RODAS - 4,5 x 13 pol (Mille) e 5 x 13 pol (Palio e Siena); pneus, 145/80 R 13 (opcionais 165/70-13 no Palio e Siena).
DIMENSÕES (Mille) - comprimento, 3,692 m; largura, 1,548 m; altura, 1,445 m; entreeixos, 2,361 m; capacidade do tanque, 50 l; porta-malas, 270 l; peso, 830 kg (5-portas).
DIMENSÕES (Palio) - comprimento, 3,763 m; largura, 1,620 m; altura, 1,440 m; entreeixos, 2,373 m; capacidade do tanque, 48 l; porta-malas, 280 l; peso, 910 kg (5-portas).
DIMENSÕES (Siena) - comprimento, 4,113 m; largura, 1,620 m; altura, 1,440 m; entreeixos, 2,373 m; capacidade do tanque, 50 l; porta-malas, 500 l; peso, 1.020 kg (5-portas).
Desempenho e consumo
  Mille Palio Siena
  gas. álc. gas. álc. gas. álc.
Velocidade máxima (km/h) 155 156 154 155 154 155
Aceleração de 0 a 100 km/h (s) 14,5 14,2 15,8 15,6 17,3 17,1
Consumo em cidade (km/l) 14,3 10,1 13,0 9,2 13,0 9,2
Consumo em estrada (km/l) 20,0 14,2 17,2 12,8 17,2 12,8
Dados do fabricante

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