


Pneus 235/40, tração
integral, suspensão própria: o S4 tem a receita certa para uma
estabilidade excepcional, mas incomoda pelo desconforto em piso
irregular |
Mais
rígida e 20 mm mais baixa, ela faz com que os pneus 235/40-18 grudem
como chiclete. Para o motorista, a
sensação é de que não existe limite para o entusiasmo nas curvas. Sair
da trajetória, só forçando muito, quando o carro escapa de maneira
gradual com ambos os eixos. Mesmo sobre piso molhado e em uma estrada
mal conservada como a de Campos, o controle
de estabilidade (ESP) mostra atuação discreta, sem intervir logo
quando o motorista está se divertindo. É mais comum ver a luz-piloto do
painel se acender ao passar pelas muitas irregularidades das ruas da
cidade paulista, indicação de que o sistema não entende o que está
fazendo o carro saltitar tanto...
O S4 não é um carro para se usar no dia-a-dia, ainda que o conjunto
motor-câmbio se preste bem a isso. O principal inconveniente é a
suspensão extremamente rígida, que transmite fortes impactos e muita
vibração aos ocupantes — provavelmente mais que em qualquer carro que o
BCWS tenha
avaliado nestes quase oito anos. Embora o vão livre do solo seja
suficiente para evitar atritos em lombadas, é preciso passar por elas
devagar, sob pena de levar um belo coice nas costas. Neste ponto, o sedã
mostrou-se bem pior que a Avant do ano passado, o que justifica a opção
pela perua a quem desejar um mínimo de conforto.
E quanto custam esses Audis? O S4 sai a R$ 407 mil (Avant a R$ 418,8
mil), aumento de 63% sobre o mais potente A4, o V6 de 3,0 litros e 218
cv com câmbio Multitronic. O A8 já rompe a barreira de meio milhão: R$
537,5 mil, podendo ainda vir com entreeixos longo e motor W12 de 6,0
litros e 450 cv — aí a brincadeira vai para R$ 709 mil! Gastar mais de
R$ 400 mil num automóvel pode parecer um absurdo para alguns. Mas quem
põe as mãos nessas preciosidades germânicas há de concordar que o prazer
de dirigi-los vale cada centavo. |