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Já as grandes marcas efetuam nos veículos nacionais amplos testes de durabilidade, onde o veículo é colocado à toda prova, rodando normalmente em torno de 100.000 km em condições severas de utilização. Não há notícias de que os importados para o Brasil tenham passado por teste similar para rodar por aqui.

Problemas de estabilidade causaram acidentes também com o Audi TT, que ganhou suspensão modificada e spoiler traseiro. Mas muitos usuários preferiram não adotar o defletor, para não perder estilo em favor da segurança

Fogo no Tipo

Um dos casos mais conhecidos de má adaptação às condições brasileiras foi do Fiat Tipo, que teve mais de 40 incêndios entre os anos de 1995 e 1996, muitos deles com destruição total e prejuízos a terceiros. No primeiro recall a Fiat atribuiu o problema ao tubo condutor do ar quente para o filtro de ar, que estaria sendo danificado por lavagens do motor com produtos químicos e pelo clima quente de certas regiões.

Como o problema não se resolveu, a Fiat partiu para uma solução efetiva. Em uma segunda chamada foi reparada a tubulação hidráulica do sistema de direção assistida, que permitia vazamento de fluido sobre o coletor de escapamento e outras partes quentes junto ao motor, sobretudo quando o carro era estacionado com o volante muito esterçado.

A Fiat quis convencer que o problema do Tipo era a lavagem do motor com produtos químicos... A falha, na verdade, era na tubulação da direção assistida

Ao que parece, o problema foi resolvido. A associação criada para defesa das vítimas, Avitipo, ganhou na Justiça e os casos serão indenizados um a um. Mas a imagem do carro no mercado estava já bastante desgastada, com grande desvalorização dos modelos e a condenação do modelo nacionalizado, produzido em Betim, MG.

As campanhas de recall podem ser corretivas ou preventivas. Em muitos casos a montadora convoca os proprietários para efetuarem reparos ou troca de peças que não colocam a vida dos ocupantes em risco. Foi o caso da Mercedes, que convocou proprietários do Classe C para a troca do fecho do capô, que poderia se abrir parcialmente com o carro em movimento. A peça custa em média US$ 10, mas a Mercedes fez isso porque apenas sete carros apresentaram o problema.

Acusa-se a Mitsubishi de esconder, no Japão, documentos com defeitos de diversos modelos, incluindo o Lancer vendido aqui
Em contrapartida, recentemente a Volvo diagnosticou a deficiência no sistema de suspensão de 116 mil unidades do sedã S80 e da perua V70 e iniciou um recall na Europa, mas a empresa no Brasil vai esperar mais informações da Suécia. Ocorre, assim, certa morosidade para resolver o caso, já que o defeito é apresentado quando o veiculo trafega em terrenos acidentados e no Brasil terreno acidentado é o que não falta.

Essa demora em iniciar a campanha não é privilégio da Volvo. A maioria das fábricas leva meses -- ou até anos -- para definir alguma estratégia de recall. No Japão, o Ministério dos Transportes estuda abrir um processo contra a Mitsubishi, acusando-a de esconder documentos há mais de 20 anos que mostravam defeitos em diversos modelos da marca, inclusive Lancer e Galant, também vendidos no Brasil. O presidente da empresa já pediu demissão por conta do caso, a exemplo do da Bridgestone-Firestone.

Golf e Audi A3 brasileiros saíram com falha nos braços da suspensão dianteira: risco de perda de controle, como no recall anunciado tempos atrás para o Astra

Ainda no problema dos pneus, a Ford acusa a Bridgestone de ter conhecimento do problema há mais de três anos -- mas comenta-se que a própria Ford sabia do problema há mais tempo, sem também tomar uma atitude. E a GM está na mira de entidades de defesa do consumidor, que analisam se ela já sabia do defeito dos cintos do Corsa há um ano e meio, já que houve tempo de melhorar o sistema já na linha 2000.

Recall sempre indica alguma falha, mas não é privilégio de carros problemáticos nem indicativo de baixa qualidade. A Rolls-Royce, que dispensa apresentações, detectou há algum tempo defeito no termostato do sistema de aquecimento dos bancos, que estava permitindo temperatura muito elevada. Seja por um grande risco ou por um inconveniente quase imperceptível, o recall demonstra atenção e respeito ao consumidor. É sua satisfação e segurança que estão em jogo.

Na alegria e na tristeza
Dentro da onda de recalls que vêm se registrando em todo o mundo, um fato chama a atenção. Em março, a General Motors e a Fiat anunciaram aliança estratégica mundial destinada a unificar suas operações de compras e projeto/fabricação de motores e transmissões. Pelo acordo, a GM passou a deter 20% das ações da Fiat Auto e a Fiat, pouco mais de 5% do capital acionário da General Motors Corporation.

Ocorre que dia 16 último a GM do Brasil anunciou o recall de mais de 1,3 milhão de Corsas, devido a problema de soltura de uma das três ancoragens de ambos os cintos de segurança dianteiros. Passados apenas três dias, foi a vez da Fiat brasileira anunciar convocação de 320 mil Palios e família, também por problema de cinto de segurança dianteiro, que não resistiu a teste de impacto patrocinado por uma publicação. Juntas, agora aliadas -- desta vez na tristeza.

Roberto Chaves

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