Barnato saiu de Nice às 17 horas e 45 minutos. Por várias vezes chegou à velocidade final de seu bólido. No dia seguinte, às 15 horas e 28 minutos o charmoso comboio havia chegado a Calais. Conta-se que oito minutos antes, o sul-africano havia desligado o motor de seu Bentley em frente ao Conservative Club da Saint James Street, na capital inglesa. Não se sabe até hoje se a façanha é fato ou lenda, como também se o carro era um modelo de série, com carroceria Mulliner, ou um belo cupê com carroceria J. Gurney Nutting.

Um Speed Six de 1930 leiloado pela empresa Christie's: motor de seis cilindros e 6,6 litros, quatro válvulas por cilindro e dupla ignição

Esta, muito esportiva e bela, tinha teto rebaixado, teto solar e revestimento em couro, juntamente com o pequeno porta-malas traseiro. O contraste com o verde da carroceria o deixava com aspecto imponente. Estava apoiada sobre um chassi tubular. O carro pesava 2.200 kg e sua distância entre eixos era de 3,56 metros. Já na carroceria Tourer, desenhada por Walter Owen Bentley, o chassi podia variar nas medidas de entreeixos de 3,50, 3,65, 3,81 e 3,87 m.

No caso da versão Nutting, o cupê de linhas esguias surpreendia pela aerodinâmica, apesar da altura do capô e da área frontal da imponente grade do radiador. Ladeando-a estavam dois faróis circulares de bom tamanho e mais dois auxiliares. Sobre os pára-lamas recortados, de desenho fluido, vinham as luzes direcionais. O estepe ficava na lateral direita e, apoiado neste, o retrovisor circular. Para ajudar a refrigeração do potente propulsor, havia várias entradas de ar nas laterais do capô. O cupê tinha portas de bom tamanho e abertura tipo suicida, para trás. Na traseira se notavam o escapamento de bom diâmetro e lanternas circulares mínimas.

A versão Blue Train Special: conta-se que Barnato foi de Nice a Londres com o seu, chegando antes do trem azul a que seu nome fazia alusão

Por dentro, o painel de madeira mostrava acabamento esmerado e muitos mostradores. Os instrumentos da marca Jaeger incluíam conta-giros, voltímetro e manômetro de óleo. O volante de três raios em baquelita tinha bom tamanho e alavancas para comando do avanço do distribuidor. Os bancos de couro, com belo desenho, eram confortáveis. Na parte traseira havia um só lugar, montado na lateral, pois o perfil baixo do teto impedia a posição convencional do banco.

O Speed Six tinha motor dianteiro, com bloco e cabeçote em uma só peça de ferro fundido, cárter e pistões de alumínio, seis cilindros em linha e cilindrada de 6.597 cm³, obtida com diâmetro de cilindros de 100 mm e enorme curso de pistões de 140 mm. Usava dois carburadores da marca SU, dupla ignição — graças à sincronização de dois magnetos — e quatro válvulas por cilindro. Em termos tecnológicos, era um motor avançado. Seus 180 cv a 3.500 rpm na versão de rua (200 cv na de competição) permitiam velocidade final de 160 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 13 segundos.

Outro ângulo do carro leiloado em 2004, que alcançou o valor de 4,1 milhões de euros -- um recorde até então para um Bentley vendido em leilão

A tração era traseira e a caixa tinha quatro marchas. As suspensões dianteira e traseira tinham feixes de molas e eixo rígido. As rodas raiadas, com fixação por cubo rápido, eram calçadas por pneus Dunlop cujas medidas podiam variar entre 6,75-18, 6,00-21 e 6,75-21. Os freios eram a tambor nas quatro rodas. Foram produzidos 182 modelos Speed Six com as carrocerias da Mulliner, J. Gurney Nutting, Tourer e Corsica, sendo este sempre conversível.

Em 2003, no evento Louis Vuitton Classic Concours D'elegance, na França, o Speed Six Blue Train Special ganhou o prêmio Best of Show (o melhor do evento). Para homenageá-lo, em 2005 foi criada uma série especial limitada a 40 exemplares do Bentley Arnage, a Blue Train Series. Foi equipado com motor V8 de 6,75 litros e 450 cv. Tanto por dentro quanto por fora, o acabamento era impecável. A lenda foi dignamente respeitada.

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