Serviço
PARE!

E confira os cuidados para manter em ordem
os freios de seu carro
Texto: Fabrício Samahá
Quando você verificou pela
última vez o estado das pastilhas e lonas de freio? E o fluido,
lembra-se de quando trocou se é que já o trocou?
Freios são um assunto sério. A potência do sistema encarregado
de parar o carro é sempre muito superior à do motor que o
movimenta. Mas manter seu bom funcionamento exige cuidados no uso
(veja o boxe) e na manutenção. O primeiro mandamento:
com freios não se improvisa. Use peças originais ou de
qualidade comprovada e não hesite em substituir componentes que
apresentem ou estejam em vias de apresentar problema.
Os freios dos automóveis utilizam dois sistemas: a disco e a
tambor. No primeiro, empregado nas rodas dianteiras de todos os
carros atuais e nas traseiras de vários deles, pastilhas (que
não giram) comprimem o disco, que é ligado ao eixo e acompanha
o movimento das rodas. No freio a tambor, as lonas internas se
afastam para provocar atrito com o tambor ou panela. A grande
vantagem do sistema a disco está na maior dissipação de calor,
pois os componentes estão expostos ao ar que passa pelas rodas.
A recuperação do freio após atravessar um trecho alagado
também é mais rápida pelo mesmo motivo. Menor peso e
facilidade de substituição das pastilhas são outros
benefícios.
ATENÇÃO
AO FLUIDO
Uma falha total
dos freios é difícil hoje, em que todo carro utiliza dois
circuitos independentes. Entretanto, um erro muito comum pode
deixá-lo em apuros: o de não substituir periodicamente o
fluido. Responsável por transmitir a pressão que faz acionar as
lonas e pastilhas contra os tambores e discos, ele só é
lembrado por muitos numa descida de serra, quando o uso intenso
pode até deixar o carro sem freios. Mas por que isso acontece?
O sistema de freios trabalha em alta temperatura, que um fluido
novo suporta com segurança. Como o fluido é higroscópico, vai
absorvendo aos poucos a umidade do ar e baixando o ponto de
ebulição (fervura). Num momento de maior solicitação, atinge
uma temperatura crítica e surgem bolhas de ar que, ao
contrário do fluido, podem ser comprimidas ou até mesmo
o fluido ferve. O resultado varia da perda de boa parte da
pressão até a falha completa do freio.
Para evitar isso, substitua todo o fluido uma vez ao ano - não
importa a quilometragem percorrida no período. Ao lavar o motor,
cubra com um plástico o reservatório de fluido para evitar a
infiltração de água pelo respiro da tampa. O líquido tem
outras funções, como lubrificar e proteger da corrosão
componentes metálicos, como molas e êmbolos, e de borracha,
como as de vedação e os tubos flexíveis. É mais um motivo
para se exigir o uso de marca reconhecida e de uma embalagem
lacrada: um fluido guardado pode não mais conservar suas
propriedades originais.
Verificar a espessura das pastilhas
(foto) e lonas é um dos cuidados mais freqüentes e importantes:
se o material de atrito acabar, além da perda de eficiência dos
freios, pode-se condenar os discos e tambores
É normal uma pequena queda do nível de fluido pelo desgaste das
pastilhas. Ao completá-lo, evite ultrapassar a marca
"máximo", o que pode fazê-lo transbordar com a
dilatação do sistema. Uma perda mais acentuada de fluido,
contudo, pode indicar vazamento. Quando ocorre é comum que o
curso do pedal aumente e o freio fique "elástico". Mas
isso pode indicar também que os tubos flexíveis não mais
suportam a pressão e devem ser substituídos.
Outra providência importante é verificar a espessura do
material de atrito as pastilhas, no freio a disco, e as
lonas, no sistema a tambor. Nunca o deixe acabar, sob pena de
riscar e até inutilizar os discos ou tambores, desleixo que
representa despesa bem mais alta.
Por suportar a maior parte do peso do carro nas freadas, o
sistema dianteiro desgasta-se mais rápido e requer manutenção
mais freqüente. A espessura das pastilhas deve ser verificada a
cada 10.000 km em média, conforme o uso predominante do carro
na estrada, exceto em serras, o consumo de freios é
menor. É uma operação simples e rápida. Troque-as quando
atingirem a espessura mínima de 2 mm. Vale lembrar que a
substituição precoce não traz vantagem: uma boa pastilha usada
freia tão bem como uma nova. Após a troca, evite freadas fortes
nos primeiros 500 quilômetros. Durante o assentamento os freios
não têm total eficiência além disso, você poderia
danificar as pastilhas.
O desgaste dos freios traseiros, seja a disco ou a tambor, é bem
menor. Recomenda-se uma revisão a cada 20.000 km, ou antes se
não houver ajuste automático de folga das lonas. Caso não
haja, a atuação dos freios traseiros vai-se reduzindo, o que
compromete a eficiência do conjunto e sobrecarrega os
dianteiros. Mantenha regulado o freio de estacionamento para
poder usá-lo também nas saídas em ladeira.
RETIFICAR?
NEM SEMPRE
Ao contrário do
que pregam alguns mecânicos, você não precisa retificar discos
e tambores sempre que trocar as pastilhas e lonas. Uma pastilha
nova assenta-se rapidamente a um disco com pequenos riscos, e só
se deve retificá-lo se estiver empenado ou apresentar sulcos
profundos. Caso sua espessura esteja abaixo da especificação é
preciso substituí-lo, sob risco de vê-lo novamente empenado em
pouco tempo. E um disco empenado causa vibrações que podem até
dificultar o controle em emergências.
A câmara de vácuo ou servo-freio
reduz a pressão necessária no pedal, multiplicando a atuação
dos freios; o fluido deve ser substituído uma vez por ano --
não importa o quanto se rodou no período
Também não é necessário limar as bordas das novas pastilhas,
temendo atrito com o degrau que se forma na borda dos discos:
este só surgiu porque a pastilha anterior não tinha esse
contato, de modo que a nova também não terá. Limá-las só
diminui a superfície de atrito e a capacidade dos freios. Quanto
aos tambores, devem ser retificados se apresentarem ovalização
(em geral por causa de um resfriamento abrupto) ou riscos
profundos (provocados pelo atrito com o patim de metal das lonas
quando estas acabam). Como os discos, possuem uma espessura
mínima: atingida, opte por substituí-los, sempre aos pares.
Um chiado ao frear pode advir de uma simples entrada de poeira ou
do desgaste total das lonas ou pastilhas. Material de atrito de
baixa qualidade, que absorva a umidade do ar, ou duro demais
também causa chiados. Lonas e pastilhas podem ainda estar
vitrificadas, o que se resolve lixando-as. Já um pedal muito
pesado pode significar danos à câmara de vácuo (servo-freio),
pastilhas ou lonas muito duras (que vão desgastar os discos ou
tambores) ou emperramentos nos cilindros.
E se o carro puxa para os lados quando é freado? É possível
uma obstrução dos cilindros ou flexíveis, mas só uma
verificação completa dos freios, suspensão, pneus e
alinhamento pode apontar a verdadeira causa e restabelecer sua
segurança, que vem em primeiro lugar.
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