Tecnologia
Fórmula 1
de rua

Ferrari reúne as vantagens dos câmbios manual
e automático no F355 F1, com comandos no volante
Texto: Fabrício Samahá
A comodidade do câmbio
automático e o desempenho do manual, aliados a um charme
esportivo: a Ferrari encontrou o equilíbrio com a transmissão
Selespeed, oferecida no modelo F355 F1 desde 1997. Como o nome
sugere, o sistema -- desenvolvido em conjunto pela Ferrari e a
Magneti-Marelli -- nasceu nas pistas de Fórmula 1. Testado já
em 1978 no Ferrari 312T de Gilles Villeneuve, estreou no modelo
640 de Nigel Mansell no GP do Brasil de 1989. Se você procura
algo semelhante na história dos automóveis de rua, saiba que se
assemelha muito ao câmbio de controle hidráulico empregado no
Citroën DS dos anos 60.


O
sistema tem três programas de funcionamento. Apesar da embreagem
automática,
baseia-se num câmbio manual, sem o conversor de torque comum nas
caixas automáticas
O câmbio F1 distingue-se do Tiptronic (adotado pela Porsche,
Audi e Volkswagen) e similares por basear-se numa transmissão
manual de seis marchas, e não numa automática com conversor de
torque. Apenas a embreagem tradicional foi substituída por uma
eletrônica, com um comando hidráulico de alta pressão. Há três
modos de funcionamento, um dos quais totalmente automático.
Quando o motorista aciona as alavancas junto ao volante (direita
para subir marchas, esquerda para reduzir), o sistema alivia a
aceleração, aciona a embreagem e efetua a mudança de marcha --
em apenas 15 centésimos de segundo!
Recurso antes
restrito aos Ferraris de Fórmula 1 chega ao F355 de rua
Outra opção é o programa esportivo, selecionado por um comando
no console, que ativa também a posição mais firme de trabalho
dos amortecedores. Como o Tiptronic, o câmbio F1 impede reduções
que viessem a exceder o limite de giros do motor e reduz marchas,
se preciso, quando se pára o veículo. Enquanto o programa
esportivo permite trocas a mais de 8.000 rpm, para máximo
desempenho (o F355 atinge sua potência máxima a 8.250 rpm), o
terceiro modo de funcionamento -- semi-automático -- o faz a 6.000
rpm, restando ao motorista a opção de mudá-las mais cedo. Pode-se
trocar duas marchas consecutivas, com dois toques na alavanca, e
manter o acelerador a fundo durante as mudanças e reduções,
pois o sistema se encarrega de aliviar a potência do motor. Para
obter o ponto-morto basta pressionar ambas as alavancas
simultaneamente.
O sistema da Ferrari é mais caro e pesado que um câmbio manual,
mas não tanto quanto um automático. E oferece as vantagens de
ambos.
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