Novamente arredondado e "musculoso", o quarto Eclipse seguia a proposta de estilo do Concept E e aumentava o motor V6 para 3,8 litros e 266 cv

Amenidades internas, mais segurança com controle de estabilidade e a charmosa versão Spyder: o perfil do Mitsubishi não era mais esportivo

Com a seção frontal negra inspirada na do Lancer Evolution, o Eclipse GT de 2008 mantinha na relação custo-benefício um forte argumento

 Os pontos mais elogiados foram "o suave e tratável V6" e o equilíbrio "maduro" entre estabilidade e conforto de marcha, além de menções ao ronco do motor que lembraria o do Alfa Romeo Milano, ao interior mais arejado e espaçoso e ao comportamento "silencioso, sólido e competente". As críticas foram à visibilidade traseira e aos bancos muito baixos. Entre prós e contras, o carro foi considerado "um líder em relação custo-benefício" (apenas Cougar e Impreza eram pouco mais baratos que ele) e um modelo enfim adequado a um público adulto.

Em 2001 a versão Spyder voltava a ser oferecida e os motores perdiam potência por conta das leis antipoluição mais severas da Califórnia. Nos anos seguintes as modificações foram as mais discretas possíveis. Em 2003 mudavam faróis e lanternas e a versão de topo agora era a GTS, que trazia bolsas infláveis laterais, bancos de couro, disqueteira para seis discos, controle de áudio no volante e teto solar para o cupê. O V6 recebia coletor de admissão com geometria variável, o que dava 10 cv a mais. A série especial Remix aparecia em 2005 trazendo bancos de couro preto, sistema de áudio com 210 watts de potência e ponteira do escapamento cromada. Essas perfumarias eram forte indício de que uma nova geração estava por vir.

E ela chegou em 2006 esbanjando estilo e potência. A carroceria assumia um perfil musculoso, evidenciado pelas caixas de rodas abauladas, as rodas de 18 pol (opcionais) e o teto em curva. A frente contava com faróis em forma de gota e uma grade discreta separada pelo logotipo do fabricante. Abaixo, a grande tomada de ar era acompanhada por um nicho para os faróis de neblina circulares. A lateral continuava limpa, mas havia uma espécie de quebra-vento fixo nas janelas das portas. Já as janelas traseiras eram pequenas e em forma de triângulo. A traseira tinha queda suave, no melhor estilo Porsche, e as lanternas triangulares usavam lentes translúcidas. O toque de classe ficava por conta do discreto aerofólio e do nome Eclipse escrito no grande para-choque traseiro. Por dentro o ambiente estava mais sofisticado. O painel ainda abraçava o motorista e ganhava auxílio dos bancos envolventes. Mantinha conforto para os ocupantes da frente, pois o banco de trás continuava mera formalidade, mas áudio Rockford Fosgate com 650 watts e nove alto-falantes podia tornar a viagem mais agradável.

Equipamentos de conforto faziam parte do pacote, como bancos de couro com ajustes elétricos e aquecimento, retrovisor interno fotocrômico e teto solar, além da segurança do controle de estabilidade. Media 4,58 m de comprimento, 1,83 m de largura, 1,35 m de altura e 2,57 m de entre-eixos. Estava também um tanto pesado, até 1.580 kg. Sob o capô, o motor 2,4 básico estava com 164 cv e 22,4 m.kgf para a versão GS. O topo de linha GT ganhava um V6 maior com 3,8 litros, 266 cv e 36,2 m.kgf. Os câmbios disponíveis eram o manual de seis e o automático de cinco. Ambos recebiam o sistema MIVEC que variava o tempo de abertura das válvulas. A versão GT de 0 a 96 km/h levava agora apenas 6,8 s. Para 2008 vinham rodas de 18 pol para o GT e uma leve reforma na dianteira, que aproveitava o mote do Lancer Evolution X com partes em preto no para-choque e adotava faróis com lâmpadas de xenônio.

Se nunca foi o maior expoente em potência ou velocidade na categoria, o Eclipse fez bonito no mercado — e na história — como um esportivo de construção adequada, bons motores, estilo atraente e, importante, preço competitivo. Tratava-se de um carro sincero que oferecia aquilo que prometeu. A receita ganhou novos ingredientes com o tempo, é verdade. Mas as mudanças têm garantido a permanência do nome Eclipse na mente dos seus fãs e dos novos entusiastas que vão surgindo.

Ficha técnica
_ Eclipse GS Turbo
(1990)
Eclipse GS-T
(1994)
Eclipse GT
(2000)
Eclipse GT
(2008)
MOTOR
Posição e cilindros transversal, 4 em linha transversal, 6 em V
Comando e válvulas por cilindro duplo no cabeçote, 4
Diâmetro e curso 85 x 88 mm 91,1 x 76 mm 95 x 90 mm
Cilindrada 1.997 cm3 2.972 cm3 3.828 cm3
Taxa de compressão 7,8:1 10:1 10,5:1
Potência máxima 192 cv a 6.000 rpm 207 cv a 6.000 rpm 207 cv a 5.500 rpm 266 cv a 5.750 rpm
Torque máximo 28 m.kgf a
3.000 rpm
29,6 m.kgf a
3.000 rpm
28,3 m.kgf a
4.500 rpm
36,2 m.kgf a
4.500 rpm
Alimentação injeção multiponto e turbocompressor injeção multiponto
CÂMBIO
Marchas e tração 5, dianteira 6, dianteira
FREIOS
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco
Antitravamento (ABS) não sim
SUSPENSÃO
Dianteira independente, McPherson independente, braços sobrepostos independente, McPherson
Traseira eixo de torção independente, multibraço
RODAS
Pneus ND 215/50 R 17 235/45 R 18
DIMENSÕES
Comprimento 4,33 m 4,38 m 4,45 m 4,58 m
Entreeixos 2,47 m 2,51 m 2,56 m 2,57 m
Peso 1.290 kg 1.395 kg 1.430 kg 1.580 kg
DESEMPENHO
Velocidade máxima ND
Aceleração de 0 a 100 km/h ND
ND = não disponível

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