

Amenidades internas, mais
segurança com controle de estabilidade e a charmosa versão Spyder: o
perfil do Mitsubishi não era mais esportivo


Com a seção frontal negra
inspirada na do Lancer Evolution, o Eclipse GT de 2008 mantinha na
relação custo-benefício um forte argumento |
Os
pontos mais elogiados foram "o suave e tratável V6" e o equilíbrio
"maduro" entre estabilidade e conforto de marcha, além de menções ao
ronco do motor que lembraria o do Alfa Romeo Milano, ao interior mais
arejado e espaçoso e ao comportamento "silencioso, sólido e competente".
As críticas foram à visibilidade traseira e aos bancos muito baixos.
Entre prós e contras, o carro foi considerado "um líder em relação
custo-benefício" (apenas Cougar e Impreza eram pouco mais baratos que
ele) e um modelo enfim adequado a um público adulto.
Em 2001 a versão Spyder voltava a ser oferecida e os motores perdiam
potência por conta das leis antipoluição mais severas da Califórnia. Nos
anos seguintes as modificações foram as mais discretas possíveis. Em
2003 mudavam faróis e lanternas e a versão de topo agora era a GTS, que
trazia bolsas infláveis laterais, bancos de couro, disqueteira para seis
discos, controle de áudio no volante e teto solar para o cupê. O V6
recebia coletor de admissão com geometria
variável, o que dava 10 cv a mais. A série especial Remix aparecia
em 2005 trazendo bancos de couro preto, sistema de áudio com 210 watts
de potência e ponteira do escapamento cromada. Essas perfumarias eram
forte indício de que uma nova geração estava por vir.
E ela chegou em 2006 esbanjando estilo e potência. A carroceria assumia
um perfil musculoso, evidenciado pelas caixas de rodas abauladas, as
rodas de 18 pol (opcionais) e o teto em curva. A frente contava com
faróis em forma de gota e uma grade discreta separada pelo logotipo do
fabricante. Abaixo, a grande tomada de ar era acompanhada por um nicho
para os faróis de neblina circulares. A lateral continuava limpa, mas
havia uma espécie de quebra-vento fixo nas janelas das portas. Já as
janelas traseiras eram pequenas e em forma de triângulo. A traseira
tinha queda suave, no melhor estilo Porsche, e as lanternas triangulares
usavam lentes translúcidas. O toque de classe ficava por conta do
discreto aerofólio e do nome Eclipse escrito no grande para-choque
traseiro. Por dentro o ambiente estava mais sofisticado. O painel ainda
abraçava o motorista e ganhava auxílio dos bancos envolventes. Mantinha
conforto para os ocupantes da frente, pois o banco de trás
continuava mera formalidade, mas áudio Rockford Fosgate com
650 watts e nove alto-falantes podia tornar a viagem mais agradável.
Equipamentos de conforto faziam parte do pacote, como bancos de couro
com ajustes elétricos e aquecimento, retrovisor interno
fotocrômico e teto solar, além da
segurança do controle de estabilidade.
Media 4,58 m de comprimento, 1,83 m de largura, 1,35 m de altura e 2,57
m de entre-eixos. Estava também um tanto pesado, até 1.580 kg. Sob o
capô, o motor 2,4 básico estava com 164 cv e 22,4 m.kgf para a versão
GS. O topo de linha GT ganhava um V6 maior com 3,8 litros, 266 cv e 36,2
m.kgf. Os câmbios disponíveis eram o manual de seis e o automático de
cinco. Ambos recebiam o sistema MIVEC que variava o
tempo de abertura das válvulas. A versão
GT de
0 a 96 km/h levava agora apenas 6,8 s. Para 2008 vinham rodas de 18 pol para o GT e uma
leve reforma na dianteira, que aproveitava o mote do
Lancer Evolution X com
partes em preto no para-choque e adotava faróis com lâmpadas de
xenônio.
Se nunca foi o maior expoente em potência ou velocidade na categoria, o
Eclipse fez bonito no mercado — e na história — como um esportivo de
construção adequada, bons motores, estilo atraente e, importante, preço
competitivo. Tratava-se de um carro sincero que oferecia aquilo que
prometeu. A receita ganhou novos ingredientes com o tempo, é verdade.
Mas as mudanças têm garantido a permanência do nome Eclipse na mente dos
seus fãs e dos novos entusiastas que vão surgindo.
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