Seus admiradores sugerem outros motivos para a série de danos aos motores. Além de erros das concessionárias nos ajustes de carburação e ignição, a longa garantia dada pela fábrica, de 18 meses ou 30 mil km, teria levado muitos proprietários — temerosos de danos futuros, após o vencimento da cobertura — a "fritar" seus motores, forçando-os em altíssima rotação com pouco ou nenhum óleo, para ganhar um novo às custas da empresa. Pode ser, mas o fato é que a NSU teve grandes despesas com sua reparação e, quando os problemas ocorriam após a garantia, seus donos gastavam fortunas para refazer os motores.

A traseira retocada em 1975, com lanternas mais amplas e a placa acima do pára-choque, foi a única alteração expressiva de estilo nos 10 anos de produção

Além do aprimoramento do motor, o Ro 80 recebeu poucas alterações durante sua produção. Ainda em 1970 adotava grade dianteira de alumínio, em vez de plástico, e faróis com duplo refletor, separando os fachos alto e baixo. Dois anos depois, vinha com amortecedores de alumínio, novos carburadores e afogador automático. Em 1973 os dois carburadores davam lugar a um só, os freios eram melhorados e os bancos dianteiros, agora comuns a modelos da Audi, não tinham mais ajuste de altura. A maior alteração de estilo ocorria em agosto de 1975, com lanternas traseiras maiores e placa posterior acima do pára-choque. No ano seguinte o câmbio era aperfeiçoado.

Seu ciclo de vida foi até duradouro: 10 anos, com uma produção total de 33.900 unidades até abril de 1977 — a última delas entregue, ainda zero-quilômetro, ao museu de tecnologia de Munique. Não fosse a má reputação trazida pelos problemas mecânicos, poderia ter sido bem mais, como o dos Citroëns Traction Avant e DS, por exemplo, carros também inovadores na técnica que duraram duas décadas.

A linha Audi/NSU de 1972, após três anos da compra pelo grupo Volkswagen: o Ro 80, em primeiro plano à esquerda, parece muito mais recente que os conservadores Audis da época, como o 100, à direita

Um fator que não pode ser desconsiderado é a aquisição da NSU pelo grupo Volkswagen, em 1969, criando-se a Audi NSU Auto Union AG — a Audi já estava não mãos da marca do Fusca havia cinco anos. O projeto de um sucessor para o Ro 80, com motor de três rotores, havia sido iniciado também em 1969, mas nunca se concretizou. Outro estudo da NSU, de um moderno sedã com motor a pistões, foi concluído pela VW e lançado em 1971 como K70, mas não teve êxito, talvez por apostar em soluções técnicas muito diferentes das habituais da marca. Quando o Ro 80 saiu de linha, levou junto a própria marca.

Ficha técnica
MOTOR - longitudinal, 2 rotores. Cilindrada: 994 cm3 (equivalentes a 1.988 cm3 em um motor a pistões). Potência máxima: 115 cv a 5.500 rpm. Torque máximo: 15,5 m.kgf a 4.500 rpm. Dois carburadores.
CÂMBIO - semi-automático, 3 marchas; tração dianteira.
FREIOS - dianteiros e traseiros a disco.
SUSPENSÃO - dianteira, independente McPherson; traseira, independente, braço semi-arrastado.
RODAS - pneus, 175/80 R 14.
DIMENSÕES - comprimento, 4,78 m; entreeixos, 2,86 m; peso, 1.340 kg.
DESEMPENHO - velocidade máxima, 180 km/h; aceleração de 0 a 100 km/h, 12,8 s
Dados do fabricante

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