

C4: criatividade no painel
digital em posição central, com iluminação muito eficiente, embora não
coordenada com os demais mostradores


Focus: desenho convencional do
painel dispensa a ousadia do antigo; instrumentos têm boa leitura e
agora incluem computador de bordo |
O painel digital do C4
destaca o velocímetro, grande o bastante para ser lido do banco traseiro
e que permite controle preciso da velocidade. Esse mostrador principal
tem leitura impecável sob qualquer condição de luz, pois o conjunto é
translúcido (admite luz pela parte voltada para frente): mesmo dirigindo
com óculos escuros e faróis acesos contra sol intenso, o motorista lê o
painel com facilidade. É pena que os demais quadros — contagiros e
computador de bordo — dependam de iluminação amarelada, que destoa do
principal. No Focus os mostradores convencionais têm luz branca,
eficiente, mas não muito atrativa.
As informações em si são as mesmas nos dois, incluindo as do computador,
que informa consumo em km/l como se prefere aqui (novidade no Ford, que
antes usava litros por 100 km ou milhas por galão), mas o do Citroën
permite duas medições de consumo e velocidade, mantém a autonomia sempre
à vista no quadro principal e informa quanto falta para o destino se for
inserida a distância total do trajeto. Detalhe raro, mas presente nos
dois, é o aviso de que o limite de rotação do motor se aproxima: no C4 o
fundo do contagiros pisca em vermelho; no Focus uma seta se acende.
Ambos trazem os itens de conveniência mais comuns. O controle elétrico
dos vidros, com comando nas quatro portas, conta com
função um-toque e sensor
antiesmagamento para todas as janelas,
mas falta ao Focus o temporizador,
economia inaceitável nesta categoria e que não acontecia no modelo
antigo. Chega a ser interrompida a subida um-toque dos vidros se a
ignição for desligada, mesmo sem retirar a chave. Nos dois há travamento
das portas a distância e automático ao rodar, para-sóis com espelhos
iluminados, aviso para o motorista atar o cinto (com som no C4 e apenas
luz no Focus) e sobre porta mal fechada, e luzes de cortesia à frente e
atrás.
Os sistemas de áudio lêem MP3 e mostram
nomes das músicas mesmo em CDs de arquivos comuns (não só MP3), desde
que gravados com essa informação. Se o C4 traz
interface Bluetooth para celular e
comandos no volante, a qualidade de som do Focus, sobretudo os graves, é
um show à parte. O espaço para pequenos objetos é mediano nos dois;
lamenta-se no Ford a perda do local para caneta que havia no antigo. Em
ambos há abertura e fechamento dos vidros pelo controle remoto (o que
ameniza a falta de temporizador), mas falta faixa degradê no para-brisa.
O novo Focus corrigiu um defeito do modelo antigo, o comutador de faróis
que permitia ligá-los já em facho alto. Agora é sempre em baixo, como no
C4, e a comutação de fachos (feita puxando-se a alavanca, a exemplo do
concorrente) tem um batente bem perceptível para evitar que o alto seja
ligado quando se pretendia só relampejá-lo. Mas há um detalhe inesperado
no Ford: não só o comando de luzes conta com posição de acendimento de
faróis de neblina, como uma luz no painel indica que estão acesos... sem
que o carro os tenha! A única vantagem desse inaceitável improviso é
facilitar a instalação pós-venda dos faróis auxiliares.
Exclusivos do Focus são alarme com
proteção por ultrassom (o C4 só o oferece na versão Exclusive com pacote
de opcionais), abertura da tampa do tanque conjugada à trava central,
distribuição do ar-condicionado para o porta-luvas, ajuste do intervalo
do limpador de para-brisa, apoio de braço com porta-objetos e posição
ajustável no console de túnel (fechado no Citroën por haver
ar-condicionado traseiro), tomada de energia de 12 volts nesse
compartimento (além da externa no console, comum ao C4) e reclinação
contínua dos bancos por botão de girar, que preferimos ao sistema de
posições definidas do concorrente.
Continua
|