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A Aircross agrada pelo rodar mais macio e confortável e consome um pouco menos, mas fica em evidente desvantagem em desempenho

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Na Idea, o motor traz desenvoltura bem maior, percebida nas provas de desempenho; a estabilidade é convincente para um carro de sua altura

Na Aircross, melhor solução para que as colunas não afetem muito a visão; na Idea, faróis de longo alcance (em cima) além dos de neblina

A vantagem da Idea em desempenho ficou evidente na simulação do Best Cars, com diferenças de mais de 10 km/h em velocidade máxima, de 2 segundos na aceleração de 0 a 100 km/h e de 5 s na retomada de 80 a 120 em quinta, por exemplo. A Aircross responde apenas com um consumo pouco mais baixo em todas as condições, embora nenhuma delas possa ser considerada econômica (veja dados e análise completa).

Os dois modelos mostram comando de câmbio razoavelmente leve e preciso, com vantagem para a Citroën no engate da ré: basta mover a alavanca para onde ficaria a sexta marcha, sem acionar o desnecessário anel-trava da Idea (existe bloqueio interno contra engate involuntário em ambas). O pedal de embreagem é algo pesado em qualquer uma delas e, na Aircross, sapatos maiores podem encostar na haste superior do pedal, talvez por sua posição de montagem não prevista para a nova altura do banco.

As suspensões equivalem-se em conceitos de projeto, com o tradicional eixo de torção no caso da traseira. Estabilidade em curvas não deve ser o principal objetivo de quem compra uma dessas minivans, mas elas não decepcionam: têm os movimentos bem controlados, inclinam-se menos do que o esperado para veículos tão altos e os pneus de uso misto apresentam aderência adequada. A Idea nos pareceu melhor em estabilidade direcional em velocidade, mas a da Aircross não representa incômodo ou risco nas condições normais de uso. Se a Citroën tem um rodar mais macio e confortável, o perfil mais baixo de seus pneus — embora sejam do mesmo modelo em ambos os carros — os torna piores na transmissão de impactos, em que a Fiat agrada mais. Os dois modelos transpõem lombadas com conforto e sem riscos de raspadas.

Ambas vêm com a mesma disposição de freios e trazem de série, nessas versões, sistema antitravamento (ABS) com distribuição eletrônica de força entre os eixos. Dissipam velocidade com eficiência e não perdem ação com facilidade no uso contínuo. A Aircross adotou assistência hidráulica para a direção, assim como a Idea, o que eliminou uma das grandes qualidades do C3 hatch — o volante levíssimo em manobras, muito agradável sobretudo ao público feminino. Mas a Citroën, a exemplo da Fiat, obteve peso adequado em baixa e média velocidade.

As minivans usam os mesmos pneus, mas o vão livre mínimo informado para a Aircross (230 mm) supera por boa margem o da Idea (185 mm). Com esses atributos, ambas conseguem alguma aptidão para rodar longe do asfalto, sendo raro raspar o fundo em obstáculos leves. O que traz vantagem à Adventure é o bloqueio de diferencial Locker (saiba mais): com as rodas dianteiras recebendo a mesma porção de torque, obstáculos — sejam irregularidades severas ou trechos com lama — que deixariam o carro imóvel podem vir a ser superados, pois a roda com menor aderência ao solo deixa de girar livre.

A Idea 2011 ganhou refletor elipsoidal nos faróis baixos, de grande eficiência e com corte de facho mais definido, o que a torna melhor nesse aspecto que a Aircross — com refletores duplos de superfície complexa, mesma tecnologia do facho alto da concorrente. A Fiat traz ainda faróis de longo alcance, ativados por botão apenas quando os altos estão acesos, e repetidores laterais das luzes de direção; a Citroën eliminou esse item ao nacionalizar sua minivan, o que é lamentável. Ambas têm faróis de neblina, mas só a marca francesa usa a luz traseira de mesmo fim.

Visibilidade à frente costuma ser um desafio em minivans, pois a coluna dianteira da porta não coincide com a coluna estrutural ao lado do para-brisa, criando uma duplicidade que prejudica muito a visão para os lados. Na Idea — assim como na Meriva e na Xsara Picasso — o péssimo arranjo nesse aspecto cria amplos pontos cegos que podem esconder pessoas, motos ou mesmo carros de certos ângulos e distâncias. A Citroën aprendeu com o erro anterior e fez melhor na C3 Picasso, de que derivou a Aircross: a primeira coluna é bem mais fina e tem uma forma peculiar que deixa sua seção mais larga invisível para o motorista. Assim, mesmo no lado esquerdo o campo visual é adequado.

De resto elas se equivalem, com retrovisores convexos de bom tamanho e visão adequada para trás. Inconveniente em comum é que nenhuma tem limpadores de para-brisa ideais: na Fiat o braço do lado direito termina seu ciclo bem diante dos olhos do motorista; na Citroën a grande palheta direita deixa uma ampla área sem varredura no lado do passageiro. Problemas que seriam sanados com braços em sentidos opostos, como os que equipam outras minivans e até carros como Peugeot 307 e Honda Civic.

Ambas vêm de série com bolsas infláveis frontais, cintos dianteiros com pretensionadores e encostos de cabeça para todos os ocupantes e oferecem a opção de bolsas laterais nos bancos dianteiros. Como ponto negativo, as duas deixam de fora o cinto de três pontos para o passageiro central do banco traseiro — um pouco mais difícil de adaptar a esse tipo de carro, mas possível, a exemplo de outras minivans. Continua

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