

Esperava-se funcionamento
mais suave do novo motor do Ranger, que vibra bastante em baixa rotação,
mas seu desempenho atende a qualquer expectativa


O 3,0-litros do Hilux parece ser
a gasolina, tal a maciez de operação e o pouco ruído; seu torque máximo
é menor, mas distribuído em uma faixa bem mais ampla |
É difícil saber se decorre da adaptação de um motor de fornecedor
externo (International) a um veículo que não oferecia versão a diesel no
projeto original, ou se existe aqui um componente de — parafraseando o
que se dizia da honestidade da mulher de César — "não só ser picape, mas
parecer picape". O fato é que o terceiro motor turbodiesel do Ranger,
ainda que tenha melhorado, continua uma fábrica de ruídos e vibrações,
do tipo que faz vizinhos olhar torto para você por os ter acordado ao
chegar em casa na noite passada. Esperava-se resultado bem melhor com a
adoção da tecnologia de duto único.
O do Hilux é o extremo oposto: salvo pelo baixo tec-tec em marcha
lenta e um pouco mais alto por volta de 1.500 rpm, faz o motorista
pensar que dirige um veículo a gasolina, tal o silêncio e a maciez de
operação. É possível acelerar suavemente a partir de 1.000 rpm até a
velocidade desejada, enquanto o concorrente trepida tanto que torna
impossível rodar a menos de 1.500 giros (que correspondem a cerca de
80 km/h em quinta). Se fossem equivalentes em todo o resto, essa
característica por si só já nos faria recomendar o Toyota ao leitor sem
pensar duas vezes.
Justiça seja feita,
a diferença só se manifesta no uso urbano, em baixas rotações. Na
estrada, acima de 1.500 ou 2.000 rpm, os dois trabalham macios e podem
chegar ao limite de giros, acima de 4.000, sem incomodar pelos ruídos e
vibrações. Essa qualidade torna ambos os picapes agradáveis no uso
rodoviário, pois a reserva de potência os faz ganhar velocidade sem
demora, em que pese a precária aerodinâmica a ser vencida (mais
percebida no Ranger pelos barulhos de vento). Viaja-se na faixa de 120
km/h, ou mesmo acima, com o conforto acústico de um bom automóvel.
Não é pelo desempenho ou o consumo que o leitor vai definir sua escolha,
pois a simulação do BCWS indicou relativo equilíbrio. O Hilux foi
mais rápido em aceleração, retomada e velocidade máxima, e o Ranger,
mais econômico nos ciclos simulados de cidade e estrada (leia análise detalhada e veja os
resultados). No entanto, as diferenças não são sensíveis a ponto de
se sentir ao volante ou no bolso ao abastecer. Os dois são capazes de
marcas de desempenho que rivalizam com as de carros pequenos de 1,6
litro, com a vantagem de oferecer muito mais torque em baixa rotação.
Os dois câmbios têm engates precisos e não muito duros, embora não se
prestem a mudanças rápidas de marcha. A marcha à ré é
sincronizada (uma novidade no Hilux) e
seu engate é simples, sem travas desnecessárias.
Continua
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