


Estilo é certamente um
argumento de vendas do EcoSport, com um ar robusto e linhas simpáticas
que agradam a quase todos



Vincos destacados e formas
arrojadas marcam o desenho do RAV4, que apesar dos quatro anos ainda é
moderno e atraente |
Concepção e
estilo
Como se não fosse o bastante, há um elo a
mais entre eles: ser concebidos a partir da plataforma de automóveis. O
EcoSport, como se sabe, nasceu do novo Fiesta. É uma versão brasileira
do Fusion, um misto de perua e utilitário esporte lançado em 2002 pela
Ford européia, que aqui — lançado em maio do ano seguinte — ganhou ar
bem mais robusto e interessante.
O RAV4, por sua vez, está na segunda geração. Baseada na plataforma do
sedã Corona (maior que o Corolla), a primeira surgiu em 1993 e foi uma
das pioneiras em sua proposta, já que os concorrentes da época usavam
chassis específicos (muitas vezes separados da carroceria, solução em
desuso nos projetos mais modernos). O modelo atual foi mostrado no Salão
de Genebra de 2000 e, no evento de São Paulo no mesmo ano, chegava ao
Brasil.
Ambos agradam muito aos olhos, combinando o ar valente típico desses
veículos com um jeito simpático, o que é certamente um argumento de
vendas. Mas é curioso como o Eco, mesmo mais recente e tão prestigiado
pelos brasileiros, perde parte do apelo colocado ao lado do RAV4. As
formas arrojadas do Toyota — com os imensos faróis, pára-lamas
suavemente abaulados, linha de cintura ascendente rumo à traseira e
vincos bem desenhados — fazem dele um dos utilitários esporte mais belos
da atualidade.
A Ford não informa o coeficiente
aerodinâmico (Cx) de seu carro, mas não parece muito distante do
0,35 divulgado pela Toyota.
Conforto
e conveniência
Uma diferença expressiva entre estes
utilitários é que, enquanto o interior de um corresponde à beleza
externa, o do outro decepciona assim que a porta é aberta. A decepção,
como o leitor imagina, acontece no EcoSport.
Por aproveitar a plataforma
e muitos componentes internos de um carro do segmento de entrada — o
Fiesta —, e ainda por cima dos menos bem-acabados, o modelo da Ford
cheira a contenção de custos por todos os lados. O revestimento dos
bancos e do volante em couro (de dois tons, o que não agrada a todos),
opcional, é o aspecto mais positivo.
De resto, plásticos rígidos, de textura desagradável e
com rebarbas, comandos duros (como os de ventilação), parafusos dos
bancos bem à vista e pouco cuidado na montagem transmitem uma impressão
inaceitável nesta faixa de preço.
Sem falar em despojamentos que beiram o ridículo, como a luz interna não
ser acionada ao se abrir uma porta traseira. É mesmo uma pena que a
Ford, um dia tão renomada por seu acabamento — mérito, aliás, que se
mantém no Focus —, tenha desprezado esse fator na linha produzida em
Camaçari.
Continua
|